<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329</id><updated>2011-11-13T20:41:56.418-08:00</updated><category term='narrativa'/><category term='radiografia'/><category term='sexo'/><category term='nostalgia'/><category term='cadáver'/><category term='lembranças'/><category term='encontros'/><category term='televisão'/><category term='razão histórica'/><category term='passado'/><category term='opinão'/><category term='dentes'/><category term='solidão'/><category term='amor'/><category term='vazio'/><category term='existência'/><category term='juventude'/><category term='responsabilidades'/><category term='família'/><category term='alcool'/><category term='vida'/><category term='infância'/><category term='crítica'/><category term='maturidade'/><category term='literatura'/><category term='cinema'/><category term='embriaguez'/><category term='preconceitos'/><category term='......'/><category term='reminiscências'/><category term='comédia'/><category term='presente'/><category term='encontro'/><category term='prisão'/><category term='.....'/><category term='mistérios'/><category term='experiência'/><category term='mulheres'/><category term='assalto'/><category term='liberdade'/><category term='morte'/><category term='futuro'/><category term='pais'/><title type='text'>Documentos de uma vida imperfeita</title><subtitle type='html'>Estórias e sentidos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>75</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-940852229990097449</id><published>2011-09-29T16:59:00.000-07:00</published><updated>2011-09-29T16:59:18.457-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Você não sabia? É necessário esforço para se ver algo de interessante nessa vida. Ou você acha que as coisas acontecem assim, naturalmente?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-940852229990097449?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/940852229990097449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=940852229990097449' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/940852229990097449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/940852229990097449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2011/09/voce-nao-sabia-e-necessario-esforco.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-6495002223802198134</id><published>2011-06-26T22:47:00.000-07:00</published><updated>2011-09-29T17:03:56.616-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='existência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>Morte e Família</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Possuo um certo medo das palavras. Não delas, pura e simplesmente, mas de transformar meus pensamentos e sentimentos em palavras. Tenho medo de me ver incapaz dessa operação, o que me afasta, por vezes, do papel ou do Word.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpFirst" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align: justify;"&gt;Nesse fim de semana o meu avô morreu. Corrigindo, nesse fim de semana o pai da minha mãe morreu. Pelas convenções sociais sim, é meu avô, mas sempre foi um parente afastado. Seria hipocrisia dizer que sinto a sua morte. Sinto pela minha mãe, que teve uma história junto a ele e sofre neste momento. No fundo, creio que estou feliz, ou ao menos aliviado com a morte do pai da minha mãe. Vinha sofrendo muito nos últimos tempos, por causa de uma infeliz operação na próstata que o deixou impotente e obrigado a usar fraldas.&amp;nbsp; Pelas estórias que ouvi e pelas impressões que nutri nos poucos contatos que mantive com o senhor José Luiz, me pareceu um homem vivaz, que gostava do seu ofício de eletricista, de tomar cerveja junto aos seus companheiros de bar,&amp;nbsp; e de mulheres. Teve muitos filhos, mas nunca levou jeito para pai. Foi enterrado com preces protestantes, o que também sinto. Um homem tão mundano, que sempre deu tanto valor aos prazeres da vida, merecia um enterro à moda nordestina, onde os homens bebem a morte do defunto. Mas sou neto distante, o filho da filha, sem arbítrio nenhum sobre essa decisão.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align: justify;"&gt;Este foi um fim de semana pesado. Minha tia veio passar o Corpus Christi aqui. Quando jovem, era linda. Nunca foi feliz em suas escolhas, e seu caráter duvidoso acabou afastando-a das pessoas que a queriam bem. Engordou com o tempo, tornou-se descuidada. Hoje é hemofílica, e vive uma vida sofrida. Gosto da minha tia pelo carinho que demonstra por mim. Ela é engraçada, gosta de me dar presentes, é uma mulher inteligente, com quem consigo ter, eventualmente, boas conversas. O problema está nos seus valores, o prazer que tem em fazer intrigas, em ver o circo pegar fogo. Na madrugada em que escrevo este texto me encontro acordado por causa dela. Comeu demais durante o dia e à noite vomita horrores no banheiro. Ouço seu sofrimento. Seu sistema imunológico encontra-se debilitado por causa da doença, por isso tosse o tempo todo. Não consegue levar uma vida moderada, tem um prazer desmesurado em comer, e sofre com isso. Tenho pena e ao mesmo tempo medo de ficar assim no futuro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align: justify;"&gt;Família é um assunto complicado. Cresce-se junto a eles, com todo afeto e atenção dedicado ao filho, neto, sobrinho. Um dia, cobra-se por isso. É necessário cuidar dos velhos, dedicar-se a isso. Seguir a própria vida é ingratidão. Meu pai nunca saiu de casa e isso me assusta, tanto quanto me afastar dos meus pais e da minha avó. Meu amor a eles é incondicional, mas uma raiva muito intensa aparece de vez em quando ao me sentir culpado por querer sair de casa. Ontem a minha avó passou mal, teve uma crise séria de reumatismo no ombro. Seu sofrimento me deixou preocupado. Quando penso em sair de casa, penso no vácuo que deixaria na vida dela. Creio que sou parte importante do sentido da sua vida. Gosta de cuidar de mim. &amp;nbsp;Todos gostam, faz parte do sentido da vida de todos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align: justify;"&gt;Mas meu espaço é pequeno nessa casa, minha vida é muito grande e não cabe. Um cordão umbilical nunca cortado. Há dor? Deve haver, para ambos. A morte virá, ninguém escapa, mas queremos que as pessoas que gostamos vivam para sempre. Elas não viverão. A morte nos lembra da finitude, torna a existência frágil. Ficamos com medo, e tendemos a nos agarrar ao que temos. Será que também pode ser tempo para nos libertar e começar a viver?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Dia 27-06-2011- 02:51&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-6495002223802198134?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/6495002223802198134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=6495002223802198134' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6495002223802198134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6495002223802198134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2011/06/morte-e-familia.html' title='Morte e Família'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1726873073796795903</id><published>2011-02-23T14:04:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T16:46:37.137-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='razão histórica'/><title type='text'>Reflexões sobre o presente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda vida caminha para a sua finitude. Nesse caminho, existem infinitas rotas que sempre prosseguem, mesmo que de vez em quando um sentimento de retrocesso apareça. Prosseguir é uma ação intrínseca à vida. Embora permeie a imaginação de muitos sonhadores, a humanidade ainda não conseguiu inventar a tecnologia da viagem no tempo, e mesmo que a inventasse, seria um esforço inútil. Voltando desse breve devaneio, consigo imaginar dois tipos de caminho, a partir da pouca experiência que a vida me proporcionou. Esta tipologia totalmente arbitrária não se furta de um julgamento de valor explícito, embora tal observação seja desnecessária, tendo em vista a inexistência de qualquer enunciação imparcial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro caminho consiste numa linha reta, aquele onde a dúvida por onde ir inexiste. No motor dos passos, encontram-se crenças e convicções empedradas. Como a máscara que disciplina o burro, torna-se incapaz de se olhar para os lados. Não é uma recusa, e sim incapacidade, pois não há escolhas. É um caminho rápido, eficiente e seguro, não há questionamento em momento algum, pois o horizonte claro à frente corresponde inteiramente às expectativas do andarilho. É o caminho da salvação e do sucesso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O segundo caminho é o inverso. Aquele cujo, a cada distância percorrida, maior ou menor, abrem-se novos cursos, cujo destino se desconhece. Este é o caminho daqueles que não se contentam com um destino dado, que não se acomodam ao se depararem uma estrada asfaltada e sombreada de lugares comuns. As promessas de futuro não acometem, este andarilho é pleno de presente, insaciável por vida. O que dizemos por “vida” refere-se à vontade de olhar por outros olhos, experimentar novas sensações e sentimentos. A estrada é esburacada, encontra-se em seus interstícios densas florestas e desertos secos. Ante os obstáculos, o homem cai, levanta, machuca-se, mas quando depara-se com um espelho d’água, admira suas cicatrizes, experimentando o gozo e as lágrimas&amp;nbsp;ocasionadas pelas lembranças de cada uma daquelas marcas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguir pelo segundo caminho não é simples ou fácil. Se o homem caminha inexoravelmente para a sua finitude, a existência é única. O desejo da extensão mais prolongada possível da vida condiciona instintivamente o homem ao primeiro caminho. A busca pela conservação motivou, durante toda a história conhecida disto que chamamos humanidade, as crenças que estruturaram a convivência entre os homens, estipulando os limites sob os quais podia-se caminhar. Seguindo um desenvolvimento linear criticável: primeiro as religiões “naturais”, depois as religiões que delimitaram o território do mundo e do sobre-mundo, e em seguida a razão, crença sobre a qual nossa existência se assenta. As possibilidades abertas partem da premissa de que a crença sobre a qual vivemos encontra-se em crise. Se a razão dotou os seres humanos de uma impressão de que eram os soberanos de seu destino, devido ao seu domínio técnico e intelectual sobre a natureza; também encarnou as relações humanas e com o mundo de total futuro. A razão deu prosseguimento ao longo processo de estranhamento ao natural, perdendo sua dimensão transcendente e tornando-se mero objeto da potência humana. Modelou as relações sociais com uma retidão aparentemente flexível, à medida que suas pulsões individuais foram drenadas para o rio do consumo. O homem passou a ser sua atividade produtiva, e sua realização o reconhecimento da eficácia de seu esforço no que produz. Pautado nesse horizonte restrito – a linha reta a ser percorrida – alienou-se de seu presente, tornando-se refém do futuro modelado pela crença dominante na razão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse mesmo caminho, alienou-se também de boa parte de sua dimensão sensível – subjugada e controlada em nome da “busca pela felicidade” – estranhando-se à dor e a todo sentimento e sensação “inútil”. O homem fruto da crença na razão tornou-se estranho ao seu presente e ao seu passado, logo estranho à própria vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reconquistar a própria vida, eis o desafio do homem atual. E quando aqui falo em homem, refiro-me ao ser singular e ao ser coletivo. O percurso irrefreável do progresso, uma vez atingido em sua crença fundamental, transformar-se-á em quimera breve. Se hoje a abertura dos horizontes do presente é fenômeno singular – de indivíduos que postam-se reagentes ao regime de pulsões que impossibilita o viver em sua dimensão integral – é possível que se torne coletivo, desmoronando oculto aos olhos da sociedade. A revolução não virá como uma promessa de futuro, mas sim de presente, principalmente quando este homem tomar ciência de que sua potência está em arriscar o imponderável, pondo permanentemente em dúvida o seu percurso. E como somente prosseguimos, as conquistas da razão – o mundo do conforto e do consumo – encontrará seu curso, ocupando um lugar secundário. Prosseguiremos livres para olharmos para o passado sem desejar o futuro, buscando conservar uma vida coletiva onde será possível ao indivíduo explorar da forma mais intensa possível o presente – integral e humano – sem pressa alguma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1726873073796795903?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1726873073796795903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1726873073796795903' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mistérios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='preconceitos'/><title type='text'>Auto-conselho</title><content type='html'>Por trás daquela beleza&lt;br /&gt;encontra-se a mulher&lt;br /&gt;como todas as outras:&lt;br /&gt;Um mistério a ser vivido&lt;br /&gt;&amp;nbsp;mas nunca desvendado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5868840044947783348?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5868840044947783348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5868840044947783348' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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term='mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>Inexperiência</title><content type='html'>Ante a bela menina&lt;br /&gt;cujo nome não sabia&lt;br /&gt;Pedi com sutileza&lt;br /&gt;- Por gentileza,&lt;br /&gt;Poderia adentrar a sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfiada e sorrateira&lt;br /&gt;Com um sorriso desdenhoso&lt;br /&gt;e um olhar de faceira&lt;br /&gt;A bela menina fez troça&lt;br /&gt;e disse sem eira nem beira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sua vontade fosse desejo&lt;br /&gt;Não pediria licença,&lt;br /&gt;Muito menos pedido&lt;br /&gt;E assim, sem força,&lt;br /&gt;entraria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1119443191123047534?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1119443191123047534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1119443191123047534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1119443191123047534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1119443191123047534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2011/02/inexperiencia.html' title='Inexperiência'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5213023865548027522</id><published>2011-02-01T03:42:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T16:50:38.514-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='maturidade'/><title type='text'>Sobre a infância</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Escrevo para tranquilizar a ansiedade, e assim ao escrever percebo que é como fumar, uma espécie de alívio mas também de dependência." (Eddie Russell, Memórias Esparsas, p.102)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe, às vezes me sinto velho, principalmente quando me dá vontade de escrever sobre a minha infância. Faz pouco tempo que passou. Tenho só vinte e seis anos. O Lobão, com cinqüenta, escreveu para perdoar. O Rubem Alves, com mais de oitenta, para reviver nas memórias uma outra infância. Quando releio meus textos, tenho a impressão de que escrevo "o passado" (vou deixar como escrevi) para sair dele. Mesmos nas linhas doces sobre meu padrinho, existe uma certa tristeza., talvez amargura, ao mesmo tempo revolta, vontade de libertação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco disse sobre minha avó, então vou dizer mais um pouquinho agora. Aprendi com ela o "defronte", advérbio de lugar que ninguém mais usa, mas que é bonito de usar.&amp;nbsp; Também o "Paulo de Frontem", para se referir à avenida Paulo de Frontim. Se alguém me corrigir, confirmo o jeito que aprendi, pois o certo não é o português correto, o nome exato, mas a relação que construímos com o lugar e seu nome durante nossa estória. Minha avó ainda está viva (e espero que viva muito mais), mas mesmo velho, distante, cada vez que essas palavras me vierem ao ouvido ou a boca, a imagem dela, em forma de lembrança ou saudade, as acompanhará.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ainda não escrevo para tranquilizar a saudade....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5213023865548027522?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5213023865548027522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5213023865548027522' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5213023865548027522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5213023865548027522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2011/02/sobre-infancia.html' title='Sobre a infância'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-8526959454674166613</id><published>2011-01-22T15:28:00.001-08:00</published><updated>2011-01-22T15:28:31.447-08:00</updated><title type='text'>Fragmento de uma carta de despedida (parte 1)</title><content type='html'>Não pensem que essa decisão é um sinal de desamor ou de ingratidão. Definitivamente, não. Se estou saindo de casa agora, é exatamente porque os amo. Chegou o momento de crescer como homem. Vocês me deram tudo durante uma vida de vinte e seis anos, mas de agora em diante é comigo. Não quero mais comida servida no prato, cama arrumada, minhas roupas lavadas e passadas por outras mãos. Quero sentir-me desprotegido para aprender a me proteger, e não vejo outra forma de se formar um homem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que isto dói em mim, dói muito. Sei também dos riscos que corro. Mas sem dor, sem riscos, não há crescimento, não há vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-8526959454674166613?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/8526959454674166613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=8526959454674166613' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8526959454674166613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8526959454674166613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2011/01/fragmento-de-uma-carta-de-despedida.html' title='Fragmento de uma carta de despedida (parte 1)'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-2765682917626244295</id><published>2011-01-20T08:04:00.000-08:00</published><updated>2011-01-20T08:04:39.699-08:00</updated><title type='text'>Palavras proféticas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, meu amigo! O que é que há!? Vamos nos fuder! Sei que é domingo à noite, que não há nada na rua e que a chuva que agora cai não tem hora para acabar. Veja, que maravilha, que grande oportunidade de nos fudermos, e bonito! Atente bem para mais uma coisa: amanhã temos que madrugar para trabalhar. Estaremos estragados, seremos zumbis. Somente esperamos da vida o óbvio, o costumeiro, o que a razão e a rotina segura nos impõem. Só hoje, que tal sermos burros e irracionais propositadamente? Sair querendo que dê errado. Imagina, as chances para a frustação de nossas expectativas são quase nulas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Já é tempo! Prossigamos em busca da infelicidade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-2765682917626244295?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/2765682917626244295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=2765682917626244295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2765682917626244295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2765682917626244295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2011/01/palavras-profeticas.html' title='Palavras proféticas'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-8310020486739767150</id><published>2010-12-30T04:53:00.000-08:00</published><updated>2010-12-30T04:56:14.347-08:00</updated><title type='text'>Reflexões natalinas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Pena, caneta, máquina datilográfica, computador. O esforço físico implicado na escrita foi, com o passar dos tempos, tornando-se menor com o advento de novas tecnologias. A mudança do meio material trouxe inovações interessantes nas formas e nos estilos. Por exemplo, com o texto em tela, a estrutura pôde ser transformada com simples CtrlVs e CtrlCs, testando-se muito mais facilmente inúmeras arrumações distintas da narrativa original. Tais procedimentos demandariam bem mais trabalho àqueles que tinham ou têm em mãos somente tinta e papel. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Porém, sou pessimista nesta questão. Se antes o risco e o rascunho deixavam os rastros do pensamento do autor, a borracha, o corretor líquido e o “delete” apagaram definitivamente os simples erros ortográficos, de concordância, de memória e o que é pior, aqueles caminhos do texto que foram deixados de lado pela mente criativa, talvez tão sublimes ou originais quanto a narrativa vencedora. Num obscuro futuro, os e-books tornarão os traços censores inacessíveis, e possivelmente daqui a poucos anos, haverá uma dificuldade muito maior em estudar o percurso feito por um autor na elaboração de um texto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Embora as transformações dos instrumentos materiais de escrita estejam destruindo uma parte essencial da criação – a dificuldade, o esforço e o aprendizado dos erros – essa é somente uma pequena parte das mudanças do ato de escrever. E aqui não trato somente de literatura, mas da principal função da língua e sobre a qual ela se constrói: a comunicação. As formas instantâneas criadas com o advento da internet tornaram a comunicação escrita numa coisa vulgar, desinteressada. Falo enquanto alguém que algum dia enviou cartas. Lembro-me (foi ainda nessa década) do esforço que era escrever uma carta (pois embora exista o meio, faz tempo que não o utilizo). Demandava concentração nas coisas a serem escritas, um cuidado no uso das palavras. A dificuldade que implicava o envio da carta diminuía enormemente o espaço para erros, mal-entendidos. Também era necessário um esforço maior de memória para dizer tudo que havia para ser dito (e sempre ficava faltando algo). Escrever cartas para alguém era não só um importar-se com o destinatário, mas também um sofrimento relacionado à leitura e a resposta daquele. Havia sentimento, drama, profundidade, vida. Com os e-mails, esse importar-se deixou de existir. Não existe mais a impressão ultrapessoal do desenho das letras, de uma mancha de café, de um pontinho de sangue ou catchup que tornava aquela mensagem um registro concreto da expressão de um momento único no tempo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Nesse final de ano, as mensagens coletivas me importunam. Demonstrar sua afeição e seus bons agouros nesse momento tão simbólico de nossa cultura tornou-se algo impessoal, uma mensagem pronta e protocolar, sem qualquer significado. Não que algum dia tenha me importado muito com isso. Mas era diferente receber cartões de Natal. Sim, eram mensagens prontas de fim de ano, mas havia um mínimo de esforço, em imprimir sua assinatura com tinta de caneta, levar os cartões ao correio. Lembro-me que os cartões eram adereços tão importantes da árvore quanto as bolinhas e as pequenas esculturas. Hoje, a árvore está vazia de cartões de Natal, somente as empresas lembram-se de mandar felicitações via papel. Realmente algumas coisas passam a importar à medida que sentimos a sua ausência, ou talvez seja uma mera nostalgia boba. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Enfim, escrevo segundo meu estado de espírito. Escrevo a partir de uma personalidade que tem dificuldades imensas em socializar-se e que abomina formalidades. Se por um lado a tecnologia tornou possível o contato de pessoas de ambos os lados do mundo; por outro afastou as próximas. E se a dor é o pressuposto do alívio, a sensação de proximidade, muitas vezes, nos impede de sentir saudade, ou de dar valor ao encontro presente. Que absurdo não é envolver-se amorosamente por alguém que se conheceu através da internet, de um perfil? Reconheço que alguns realmente dão certo, mas o que estou falando é da integralidade de uma relação. Não se relaciona somente por palavras, mas por olhares, por expressões corporais, por um tom de voz com uma afetação diferente, que expressam expectativas, tensões, constrangimentos. Isso é único e insubstituível, mas cuja comodidade das inúmeras opções disponibilizadas pela tecnologia tornam cada vez menos valorizados, ou perceptíveis. O perfil diminui a possibilidade da frustração, assim como dos encantos mais surpreendentes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A comodidade que a técnica e a tecnologia proporcionam tem tornado não somente o ato de escrever uma coisa vulgar, mas também a relação entre as pessoas. Não esforça-se para escrever melhor, não se reflete sobre as formas de se expressar, não se valoriza a relação com a escrita e logo com o outro. Relaciona-se com mais pessoas, mas essas relações são cada vez mais superficiais, instantâneas, vulgares. Empobrece-se a escrita, empobrece a comunicação, empobrecem-se as pessoas, empobrece-se a vida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: inherit; font-size: x-small;"&gt;PS: Este texto foi escrito diretamente no Word 2007&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-8310020486739767150?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/8310020486739767150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=8310020486739767150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8310020486739767150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8310020486739767150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/12/reflexoes-natalinas.html' title='Reflexões natalinas'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-8704215450907929981</id><published>2010-12-17T05:31:00.000-08:00</published><updated>2010-12-17T05:33:37.991-08:00</updated><title type='text'>A História, o passado e a cultura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Na realidade, a única coisa que nos oferece a História é uma certa idéia de um certo passado, uma imagem inteligível de um fragmento do passado. Não é nunca a reconstrução ou a&amp;nbsp;reprodução de um passado dado. O passado não é dado nunca. O único dado é a tradição.(...) A imagem histórica surge quando se indagam determinadas conexões, cuja natureza se determina pelo valor que se lhes atribui. &lt;/em&gt;(Johan Huizinga, El concepto de la historia y otros ensayos, México, Fondo de Cultura Económica, 1992, p.91.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-8704215450907929981?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/8704215450907929981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=8704215450907929981' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8704215450907929981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8704215450907929981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/12/historia-o-passado-e-cultura.html' title='A História, o passado e a cultura'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-932630316220940952</id><published>2010-12-15T14:57:00.000-08:00</published><updated>2010-12-15T14:57:43.434-08:00</updated><title type='text'>A criação do mundo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Todos nós criamos o mundo à nossa medida. O mundo longo dos longevos e curto dos que partem prematuramente. O mundo simples dos simples e o complexo dos complicados. Criamo-lo na consciência, dando a cada acidente, facto ou comportamento a significação intelectual ou afectiva que a nossa mente ou a nossa sensibilidade consentem. E o certo é que há tantos mundos como criaturas. Luminosos uns, brumosos outros, e todos singulares.&lt;/em&gt; (Miguel Torga, &lt;em&gt;A Criação do Mundo&lt;/em&gt;, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996,&amp;nbsp;p.11.)&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-932630316220940952?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/932630316220940952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=932630316220940952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/932630316220940952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/932630316220940952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/12/criacao-do-mundo.html' title='A criação do mundo'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-9064078896880921292</id><published>2010-12-08T15:32:00.000-08:00</published><updated>2010-12-08T15:32:00.603-08:00</updated><title type='text'>Tempo</title><content type='html'>O tempo é um peso que pesa concreto&lt;br /&gt;nessa necessidade de me manter vivo&lt;br /&gt;ou nesse medo de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cigarro, uma fome, a libido&lt;br /&gt;Alívio que se confunde com prazer.&lt;br /&gt;Precisão de fumar, de comer, de gozar&lt;br /&gt;De consumir a saciedade dos minutos.&lt;br /&gt;Logo, com as horas, me canso&lt;br /&gt;Desse árduo trabalho de preenchê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dos meus vícios, talvez meu pior&lt;br /&gt;são aqueles pensamentos &lt;br /&gt;em que vivo a vida que gostaria,&lt;br /&gt;Limitando a vida possível,&lt;br /&gt;aquela dura realidade das relações,&lt;br /&gt;cujas frustrações me furto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumo assim minha vocação para o medíocre,&lt;br /&gt;Por não conhecer, e querer, nada muito além&lt;br /&gt;daquilo cujo mínimo risco e esforço me faz permitido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-9064078896880921292?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/9064078896880921292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=9064078896880921292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/9064078896880921292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/9064078896880921292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/12/tempo.html' title='Tempo'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5704060874412510040</id><published>2010-11-30T09:50:00.000-08:00</published><updated>2010-11-30T09:50:39.930-08:00</updated><title type='text'>Circe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;﻿Existe um território muito bem conhecido. Ele proporciona tudo aquilo que se deseja, e este é o problema, o maior problema. Não há um horizonte para além do que o desejo sustenta, para além do que é nele consumido. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que há adiante é desconhecido, os mares tenebrosos nunca navegados trazem consigo uma sensação de vazio imenso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais olhos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquiles sonha com sua Penélope todo dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5704060874412510040?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5704060874412510040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5704060874412510040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5704060874412510040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5704060874412510040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/11/circe.html' title='Circe'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-3644885949325259348</id><published>2010-11-02T06:59:00.000-07:00</published><updated>2010-11-02T06:59:27.128-07:00</updated><title type='text'>Quando as palavras brotam...</title><content type='html'>“Você é tão bonita que parece uma mentira.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa frase me apareceu nos pensamentos, sem quaisquer referências concretas de inspiração. A beleza da construção me fez desejar dizê-la, afinal, é para isso que as palavras foram feitas. Mas o que comunicaria com isso? Para quem? E se me perguntassem o sentido da afirmação? Não saberia dizer, realmente. Por outro lado, se buscássemos sempre o que queremos exatamente dizer quando dizemos, não diríamos nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não sei. Só te vi e senti vontade de dizer-te.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-3644885949325259348?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/3644885949325259348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=3644885949325259348' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3644885949325259348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3644885949325259348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/11/quando-as-palavras-brotam.html' title='Quando as palavras brotam...'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-8094017312604481165</id><published>2010-10-01T21:33:00.000-07:00</published><updated>2010-10-01T21:35:35.799-07:00</updated><title type='text'>Novamente a tristeza</title><content type='html'>Colocou a sua melhor roupa. Foi para o baile disposto a ser feliz por algumas horas. Sorriu, bebeu e dançou como nunca tinha dançado. Por algumas horas, chegou a acreditar na felicidade, mas o baile sempre termina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, o cianureto o esperava ao som de um bolero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o segredo seja não esperar muito da vida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-8094017312604481165?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/8094017312604481165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=8094017312604481165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8094017312604481165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8094017312604481165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/10/novamente-tristeza.html' title='Novamente a tristeza'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-3313739380422910948</id><published>2010-08-14T19:26:00.000-07:00</published><updated>2010-08-14T19:26:05.097-07:00</updated><title type='text'>A hora do cansaço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"As coisas que amamos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;as pessoas que amamos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;são eternas até certo ponto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Duram o infinito variável&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;no limite de nosso poder&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;de respirar a eternidade."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;(Carlos Drummond de Andrade, A Hora do Cansaço)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje estou triste, mas estou bem, porque esta tristeza me faz querer dizer algo. Uma calma de espírito do que não se pode evitar (ou antes fazer) me toma, e a pena repousa tranqüila na mão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu queria que você fosse minha, mas isto vai contra os meus valores. Por isso, prefiro que vá embora, mesmo que me sacrifique por isso. A cada vez que você se vai, mesmo que brevemente, é como se levasse um pedaço da minha alma. É diferente dos amores amigos, meu amor amante. Quando aqueles se vão, deixam também um pedaço deles, e sei que, mais dia menos dia, voltam para buscá-lo e devolver o que de mim levaram (e mesmo quando não voltam, o que deixam nos basta). Eles deixam lembranças e nostalgia; você, saudades e melancolia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, sou antes poeta do que homem, mais de palavras do que de ações, e por isso peço perdão. Um pobre poeta, que não sabe encontrar palavras para seus desejos, ou antes as furta temeroso da interpretação. A quem engano, o que sou de verdade é um metafísico medíocre. Se agora escrevo, é para dar vazão as minhas especulações, e reiterar um hábito de pensamento e sentimento. Escrevo para informar minha impotência, minha incapacidade para te amar – ou antes para poder amar com você - pois mesmo se hoje te encante com palavras bonitas (as quais você é a inspiração), não será sempre que as terei, e a maior parte do tempo serei mais um motivo de insatisfação do que de alegria. Os dias passarão, e tudo acabará. Não guardaremos nada um do outro, a não ser o rancor e a indiferença, e somente digo isso porque assim meus pensamentos se encadeiam e no final é como a estória termina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espero um dia saber viver o amor e o desejo, a frustração e a rejeição, e que estas sejam palavras de momento. Ser livre para te invadir, mesmo que depois me expulses. A parte de mim que você leva a cada vez que se vai deixo nesse texto, do qual lamento me despedir nesse instante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-3313739380422910948?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/3313739380422910948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=3313739380422910948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3313739380422910948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3313739380422910948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/08/hora-do-cansaco.html' title='A hora do cansaço'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-236478807095565834</id><published>2010-08-07T20:34:00.001-07:00</published><updated>2010-08-07T20:48:25.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostaria de morrer uma vez, só para saber como é.&amp;nbsp;Uma pena que a morte não pode ser uma experiência. Possivelmente, se fosse, me viciaria em morrer.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é o fim de todas as experiências. Então, contento me com as do século&amp;nbsp;mesmo.&lt;/div&gt;Enquanto isso, vou vivendo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-236478807095565834?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/236478807095565834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=236478807095565834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/236478807095565834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/236478807095565834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/08/gostaria-de-morrer-uma-vez-so-para.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-2749268082592804668</id><published>2010-07-24T20:59:00.001-07:00</published><updated>2010-07-24T20:59:26.533-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Já passou da hora de largar as muletas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-2749268082592804668?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/2749268082592804668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=2749268082592804668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2749268082592804668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2749268082592804668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/07/ja-passou-da-hora-de-largar-as-muletas.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-696512294277794274</id><published>2010-07-21T20:37:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T20:37:09.458-07:00</updated><title type='text'>Outros olhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes, quando menos percebemos,a voz alheia nos alerta para o caminho que estamos seguindo. Então, tomamos consciência de nós mesmos, nos refletindo sobre a nossa construção (ou projeção, o que possivelmente não é muito diferente), enquanto sujeito, enquanto identidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas isso somente ocorre aos espíritos abertos ao outro, para aqueles que não se consideram como essência pura, e sim enquanto um animal social. Até porque o que há de mais sólido em nós somente ganha consistência quando posto à prova da relação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Precisamos sempre de outros olhos para conseguirmos nos observar realmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-696512294277794274?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/696512294277794274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=696512294277794274' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/696512294277794274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/696512294277794274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/07/outros-olhos.html' title='Outros olhos'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-7834952318002848892</id><published>2010-07-11T13:54:00.000-07:00</published><updated>2010-07-14T18:39:26.225-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='......'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='.....'/><title type='text'>"O mundo é o bosquejo de algum deus infantil"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Se procurar bem, você acaba encontrando&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;não a explicação (duvidosa) da vida&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;mas a poesia (inexplicável) da vida.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Carlos Drumond de Andrade, &lt;em&gt;Lembrete&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Acostumamos a apreender o mundo e suas relações pelo que trazemos da vida. Pensamos e tentamos dar sentido as coisas, julgamos segundo nossos valores como melhor ou pior, da forma mais conveniente para nós. Porém, ocasionalmente acontecem coisas com as quais somos incapazes de lidar, inapreensíveis pela carga acumulada que o tempo nos proporcionou. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que você quer, afinal?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sei!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os degraus eram enegrecidos de sujeira e coloridos pelo branco das guimbas pisadas. Os corredores escuros e barulhentos. Vozes grosseiras faziam eco, e inúmeros homens percorriam os andares como matilhas atrás de carne. As portas vermelhas anunciavam o prazer, mas cada uma guardava surpresas desagradáveis ou deslumbrantes. O corajoso tocava a campainha. Uma mulher abria, mormente desnuda, e os predadores espreitavam o que havia dentro dos apartamentos. Gordas, velhas, negras, menores, havia sempre para todos os gostos, mas a caça envolvia muitos caçadores, o que tornava a busca pela saciedade quase uma disputa, embora solidária. À cada saída, uma indagação, “e aí, está bom?”, ao que se esperava sinceridade, coisa difícil quando se envolve tesão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca imaginei o que encontraria naquele prédio comercial, de aparência austera e nome de santo. Cervejas eram anunciadas em cartazes de papelão, com grafia errada. Uma grade aberta servia de porta a um desses apartamentos, onde se via um homem muito gordo, velho, peludo e seminu, assistindo TV estirado num sofá velho, do qual levantava para vender suas bebidas. E havia lugar para gente normal, que anunciava em suas portas “Por favor, não toque. Residência familiar.” Como aquele tipo de gente morava ali?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percorremos quatro andares do prédio. Quanto mais se subia, menos portas vermelhas, menos homens à procura. Razão simples, mulheres mais velhas, acabadas, a lógica da vida inversa a ascensão física vertical dos edifícios. A timidez de início transformou-se na mais estranha volúpia curiosa de saber o que havia dentro dos apartamentos. Se antes me sentia ameaçado, a observação, a adrenalina do desconhecido e a prática entusiasmaram meus dedos. “Oi amor, venha, vamos entrar”. O tempo para decisão era curto, não havia muito o que ponderar. Não sabia o que queria a princípio, e recusava com aquela costumaz maneira sem jeito, educada demais para aquele mundo. “Não, muito obrigado”, totalmente envergonhado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu amigo e eu penetramos duas ou três dessas portas, que&amp;nbsp;ocultavam pequenos cubículos. Geralmente havia três cômodos. Uma sala, onde se faziam as apresentações e vendia-se bebidas. Ora uma junkebox tocava música brega ou funk erótico, ora algumas TVs exibiam filmes pornográficos. Um banheiro sujo, mas com pias e chuveiros para putas e clientes se limparem e fazerem suas necessidades. Um anexo, que se escondia atrás de uma cortina picada, se subdividindo em buracos escuros onde se consumia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era no primeiro cômodo em&amp;nbsp;que se ficava mais tempo. Tudo era apertado, e apesar das poltronas existentes, não havia espaço para mais de dez minutos. Um aviso servia para tornar a rotatividade bem intensa. “Tempo máximo de permanência sem consumo: 2 minutos.” Difícil a 5 mangos por cerveja. Se antes titubeava sobre o que queria e viera fazer ali, tudo se tornou muito simples: Foder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O 118 era nosso destino. Havíamos entrado ali no tempo da inocência (a minha, é claro). Uma pequena morena com aparência de menor, pequenos seios pelados e uma bundinha proporcional maravilhosamente linda. Uma loira. Uma morena corpulenta, que ocupava a função do barman enquanto este saia para renovar o estoque. Uma outra, nordestina, com o cabelo dividido em tranças que lhe dava um ar juvenil e sapeca. Não parava de rebolar, olhando-se ao espelho. À súbita atração, acordei rapidamente, meia hora mais duas camisinhas. Deixei uma grana para meu amigo.Fomos ao buraco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem muito papo. A princípio só a calça. A pedido, tudo. Joguei mochila e roupa para o fundo do colchão – o único espaço&amp;nbsp;disponível – e deitei. Ela veio como louca, me chupando e beijando. Eu suspirava com seu ardor. Logo fiquei duro, e ela foi descendo com a boca, até colocar-me o preservativo. Chupou um tempo que parecia saber precisamente, e sentou virada para mim. Sorvia o bico dos seus peitos enquanto ela subia e descia. Algum tempo,&amp;nbsp; vira de costas e continua o mesmo movimento, mais frenético. O escuro estilizava a sombra do movimento do meu pau entrando em sua buceta. Indagando-me a minha vontade, coloquei-a de quatro. Soquei forte e rápido, puxando levemente suas tranças para trás. Ela gemia e o que importa é que era convincente. Deitei-a de costas e continuei metendo. Com seus macetes de mulher da vida, foi fechando as pernas e apertando, tornando a penetração mais gostosa. Gozei por medo do tempo – sempre ele. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deve ter sido uns quinze minutos, e ela fez a pergunta engraçada “Vamos de novo.” Sorri e nos pomos a conversar um pouco. Era da Bahia, e havia acabado de completar 18. Chegara a poucas semanas. Era linda, e lhe disse, perguntando sem menosprezar, se não arranjaria um outro lugar melhor na cidade. Respondeu de que fora enganada por uma falsa promessa, e já que estava ali, pouco importava. “Perdão, qual seu nome, seu péssimo com isso.” “Katrina, é só lembrar do furacão.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saciado, sem pressa e tranquilo, sentei defronte a junkebox, pedi uma cerveja e pus-me a observar, já que João acabava de entrar com a loira. Tocava um pagode brega, interrompido pela campainha que soava a cada minuto. Entrava todo tipo de homens, que saiam ou se resolviam quase instantaneamente. Um homem negro de boné e um senhor nordestino fugiam ao movimento intenso. O primeiro resolveu-se com minha baiana, mas não me importei muito. O segundo ficou junto ao bar. Lembrava-me dele na entrada. Era baixo, idoso, e exibia manchas horríveis na cabeça. Parecia parte daquela bizarra decoração de bolas em verde e amarelo, como necessário aquele mundo. Pouco conversava, parecia não existir, não estar ali. O que era aquele homem? O que era aquele lugar, aquela música, aquelas mulheres, aqueles bandos? Tudo era incompreensível, não fazia parte de nada, era absurdo e por isso dotado de qualidades que não conseguiria descrever. Só sabia de uma coisa: estava como que imerso num fascínio calmo e triste, um prazer prolongado, de infinitude. Como se a “paz de Deus” (e como me sinto estranho dizendo isso, mesmo sem saber o que quero dizer) estivesse em mim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após a volta de Joca, comprei mais uma cerveja, e dividimos sentados. Saímos em alguns minutos, pois havia muita coisa a se fazer no mundo real.&amp;nbsp;Deixamos o prédio, com nossa cerveja. Dei-lhe um beijo e um abraço, agradecido por aquilo. Um maravilhoso mundo, afinal, que possivelmente nunca se repetirá, e por isso basta para ser eterno.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-7834952318002848892?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/7834952318002848892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=7834952318002848892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7834952318002848892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7834952318002848892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/07/magico.html' title='&quot;O mundo é o bosquejo de algum deus infantil&quot;'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-7724302394777725552</id><published>2010-06-29T13:47:00.000-07:00</published><updated>2010-06-29T13:48:54.206-07:00</updated><title type='text'>Não há título</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As coisas sempre estiveram lá, e isso bastava. Os dias passavam como que naturalmente, era simples pois vivia sem perceber. Não indagava sobre meus atos e sentimentos, agia porque era assim, sentia porque era assim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi quando, num momento difícil de precisar, sobreveio uma estranha sensação de que viver era mais do que "deixar que as coisas fossem assim". Foi quando tudo ficou complicado. Tomava consciência de mim a medida que descobria. Abria-se o horizonte, e diante do novo, me perdia. Pela primeira vez na vida (como todas as verdadeiras primeiras vezes), senti o desespero&amp;nbsp;e o delírio, amalgamados numa existência desprovida de qualquer sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preciso de mais palavras para continuar essa estória.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-7724302394777725552?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/7724302394777725552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=7724302394777725552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7724302394777725552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7724302394777725552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/06/nao-ha-titulo.html' title='Não há título'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-482779137724801926</id><published>2010-06-06T16:44:00.000-07:00</published><updated>2010-06-06T17:42:21.735-07:00</updated><title type='text'>palavras ignorantes sobre o amor e a vida</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que falar sobre o amor? Ainda, o que dizer algo a mais além do tanto que já foi dito? Sempre há a dizer algo a mais sobre um sentimento, a medida que cada experiência e cada forma de sentir é singular. Censuram-me por dizer demais que amo as pessoas. Assim como uma palavra possui inúmeros significados, cada enunciação traduz uma relação específica. Eis o que existe de mais irredutível na minha acepção de amor: a palavra sempre incide sobre uma relação ou um desejo por se relacionar. Daí, se expande numa infinitude de ramificações, que constitui isso a que chamamos vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não digo relação como quem diz somente “entrar em contato com”, embora este seja um dos seus principais fundamentos. Quando digo amor a algo ou alguém, digo, antes de tudo, profundidade. Neste objeto encontro não um subserviente à ação, mas uma contigüidade de mim. Constrói-me, assim vivo. É nas tensões mais sofridas, naqueles estranhamentos intensos em que me perco sem qualquer referente disponível, é onde encontro o amor. É no outro que existo, onde adquiro sentido, assisto pelo ângulo impossibilitado pelo ego.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode ser que tais reflexões encontrem-se numa espécie de idealização sobre o ser humano. “Homens e mulheres se matam pelo mínimo”, eis o que diz a opinião daqueles que todo dia assistem a crimes absurdos. Nada é pequeno ante os desenvolvimentos possíveis do ato de pensar. Nossos pensamentos são um angustiante campo de possibilidades, em que se desenham narrativas fantásticas e absurdas pautadas em preconceitos inconscientes. Nesses desvarios, acabamos por nos afastar das maravilhas oferecidas pela vida, que somente cobra o preço do risco. Enquanto recompensa, sentimentos desconhecidos, prazeres irresistíveis, paixões intensas e amores (que não precisam de adjetivos).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda há quem fique pensando, quem pondera sobre fatos cujas representações guiam uma leitura do mundo através de categorias essencialistas, a imagem antecedendo à coisa. Essa raiz infeliz acaba por nos aprisionar numa experiência limitadora, eternizando um momento. Reproduzem ou criam regras onde só deveria existir o entregar-se. Foi pelo particular que chegamos a História, é pela fortuna da experiência única que devemos viver.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há método.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-482779137724801926?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/482779137724801926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=482779137724801926' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/482779137724801926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/482779137724801926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/06/palavras-ignorantes-sobre-o-amor-e-vida.html' title='palavras ignorantes sobre o amor e a vida'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1937546519396754792</id><published>2010-05-30T11:43:00.000-07:00</published><updated>2010-05-30T11:43:41.819-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Outro dia um amigo me disse: -Marcelo, pára com isso de ser meu amigo, você é o Marcelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri ontem que esse Marcelo não é facilmente reconhecível. Onde estão suas estórias, aventuras e desventuras? Quais são as suas paixões, seus sonhos, e principalmente as suas vontades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei sem esse horizonte, do sujeito que se auto-reconhece, e nos primeiros momentos é difícil viver assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1937546519396754792?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1937546519396754792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1937546519396754792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1937546519396754792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1937546519396754792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/05/outro-dia-um-amigo-me-disse-marcelo.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-7853363625187164575</id><published>2010-05-24T19:00:00.000-07:00</published><updated>2010-05-24T19:01:53.549-07:00</updated><title type='text'>Uma grande mulher</title><content type='html'>Ela tinha uma inocência poética nas palavras&lt;br /&gt;Certa vez, ao assistir um céu noturno cheio de estrelas, disse que parecia poder pegá-las com as mãos&lt;br /&gt;[Foi o instante em que me apaixonei]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratava com a mesma delicadeza e generosidade o doutor e o mendigo&lt;br /&gt;Fazia do trabalho um complemento necessário de sua vida, não estabelecendo distinções ou subtraindo-lhe as pessoas que amava&lt;br /&gt;Esperava sempre o melhor do outro, mesmo que este lhe mostrasse a face mais cruel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca conheci mulher igual, e olha que tinha aquele sotaque detestável, embora em sua boca parecesse o canto dos anjos&lt;br /&gt;Sempre penso nela, e ao fazer isso, animo-me a enfrentar as asperezas do dia&lt;br /&gt;Me faz querer ser um grande homem e lutar para melhorar o mundo pelo simples fato deste incluí-la&lt;br /&gt;[a propósito, saber que ela existe me faz ver beleza em tudo]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu a conheci há um tempo, não saberia precisar, porque essa memória intensamente viva me causa a impressão de que acabei de encontrá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, intangível, devota seu amor a outro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo a isso a eternidade do sentimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S.:Amando sempre como um garoto de 12 anos, e feliz.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-7853363625187164575?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/7853363625187164575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=7853363625187164575' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7853363625187164575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7853363625187164575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/05/uma-grande-mulher.html' title='Uma grande mulher'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5823728595141322799</id><published>2010-05-02T14:24:00.000-07:00</published><updated>2010-05-02T14:27:41.996-07:00</updated><title type='text'>Decadence (parte 1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta é uma estória em duas, mais compreensível seria se fossem duas em uma, mas será o homem um apenas, ou será que numa vida cabe mais que um? Esta poderia ser dita como a estória de realidade e sonho, mas o texto é um, o que elimina qualquer distinção, sendo os dois estória, tão real o sonho quanto tão sonhada a vida, é tudo palavra, é tudo imaginação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A atmosfera do minúsculo apartamento era literalmente tóxica. Ao visitante desavisado, aquele ambiente fazia arder aos olhos e faltar o ar. As duas únicas janelas davam uma para o muro do prédio vizinho, a outra para a asquerosa área de serviço do andar. Ambas trancadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eram três da madrugada no relógio de parede da pequena cozinha. Sobre a pia, copos e mais copos sujos se acumulavam. Em um canto qualquer, a cafeteira permanentemente ligada aquecia um resto de bebida. Não havia geladeira, muito menos fogão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma pequena mureta separava a cozinha do quarto-sala-escritório-casa de João. Estava sentado em frente a uma mesa, e um abajur de madeira pequeno – a única luz acesa - iluminava sua atividade e uma densa mistura de fumaça e poeira. Mais a direita, um pacote de Hollywood vermelho aberto, dois maços vazios amassados, outro pela metade com um isqueiro por cima, um cinzeiro quase transbordando de cinzas e guimbas, com um aceso a queimar. Ao lado esquerdo, contava-se um copo quase vazio de café, que deixava mais uma marca dentre tantas sobre o verniz. Debaixo de seus olhos, um caderno espiral aberto, com o cilindro de arame lotado de vestígios das folhas arrancadas que se espalhavam pelo chão, amassadas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma bic com a carga no final passeava habilmente por entre os dedos de João. A cadeira inclinava-se para trás, projetando seu olhar para o teto. Estava com um gasto casaco jeans, calças de moleton velhas e meias desfiadas. Os cabelos desgrenhados denunciavam o desleixo, os dentes amarelados os vícios, o rosto pálido os dias trancados, as olheiras a insônia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia um estranho silêncio, incomum pela proximidade a rua movimentada. O barulho de sua respiração era alto, e o único que se podia ouvir. Ensimesmado, parecia instigado pelo ritmo de seu peito, sobre o qual a outra mão pousava. O caminho inevitável de uma vida desregrada. Asma, enfisema pulmonar, Câncer de pulmão. O que será que pensava João? Quiçá pudesse ouvir seus pensamentos, mas era impossível. Afinal, quem ouviria? Será que o som do pensamento teria o tom de nossa voz? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Três toques fortes e secos na porta ressoaram pelo apartamento e João despertou de si, quase caindo da cadeira. O susto do barulho acelerou-lhe o coração. Recobrado, levantou-se afastando a mesa, o que fez subir uma grande nuvem de poeira. Pegou o cigarro do cinzeiro e após uma última tragada, o apagou ao levantar. Tossiu carregadamente duas vezes enquanto encaminhava-se a noroeste. Seus passos espalharam as bolas de papel pelo chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhou pelo olho mágico. Uma mulher de pele branca e cabelos negros encontrava-se do outro lado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“O que você quer?”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Foder” - respondeu uma voz desregulada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Vá embora, Jane, são três e meia da manhã” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Abre essa porra logo!” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João abriu, girando a Papaiz e a chave. Cambaleante, Jane entrou no apartamento. Era uma mulher muito atraente, com um vestido verde daquele tecido que dá para sentir a pele. Ela olhou ao seu redor com uma expressão de asco, que se estendia a João.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Que merda é essa! Isso aqui parece uma casa fantasma. Olha pra você, que lixo! Não quero mais foder.” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Ótimo, vá embora.” – João abriu novamente a porta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Por quê tá falando assim? Não quer foder?” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Você já disse que não quer, e eu menos ainda. Cai fora.” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Você e essa merda de livro. Acho que você é viado, João.” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Pode ser. Caí fora agora!” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se fosse de propósito, mas sob os efeitos da bebida, Jane caiu feito pedra no sofá de João, levantando outra nuvem de poeira intensa. João fechou a porta e aproximou-se de Jane. Que corpo era aquele?! Sentia desejo, após tantos dias de clausura. Inclinando o tronco para fora do sofá, Jane começou a vomitar no assoalho de taco. Era o fim do desejo. Deixou o vomito e a mulher onde estavam e voltou à cadeira. Olhando para o teto, acendeu um cigarro, e após uma boa tragada, escreveu uma palavra – &lt;em&gt;decadência&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;O volume da TV na sala aumentou de repente. O teto era branco, e para ele XXXX olhava sem ver. Via seu sonho. Levantou e caminhou à cozinha. Pedofilia novamente. Seus pais não perdiam um dia sequer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Colocou o café no copo e sentou-se na mesa da cozinha. As vozes que chegavam da sala comentavam a mesma coisa de todos os dias. “Como é que pode um pai fazer isso com a filha?” “Que monstruosidade.” “Esse homem não tem Deus no coração” “Muda de canal, esse cara é doente”. Todo dia, pelo menos por meia hora, assistia-se ao noticiário sensacionalista que defendia a pena de morte e acusava de antemão a qualquer criminoso que caísse nas suas garras. A TV ficava ligada o dia todo, e afora as novelas, os únicos programas impreterivelmente assistidos eram os noticiários. Todo o dia era arrastão, assaltos, balas perdidas, pedofilia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;XXXX tinha horror a tudo aquilo exatamente pela consciência que tinha de como aqueles programas afetavam a sua vida. Realimentavam o medo da rua com que fora criado desde criança. Crescera em condomínios, sem poder por o pé na rua. “Cuidado, é perigoso” fora a expressão mais ouvida durante toda a sua vida. E tudo era perigoso, sair à noite, conhecer pessoas novas, ir para lugares desconhecidos, tomar decisões. XXXX passara boa parte da vida ansiando pelo inseguro. Vinte anos não vividos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se diz que algo está decadente, é normal pensarmos que houve um momento melhor, de sucesso, de desempenho elevado, de maior vitalidade. Não era bem essa acepção que fazia a cabeça de XXXX. Em sua cabeça, este termo tinha a forma de um estilo de vida misógino, egocêntrico, sujo e autodestrutivo. Era antes forma, imagem, do que qualquer outra coisa. A decadência era a sua fantasia de vida ideal, aquela que não tinha coragem de viver, mas que achava extremamente atraente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passava algumas horas por dia à frente do computador. Abria um documento de word e ficava alguns momento olhando para a tela com a página em branco. O barulho impertinente que a casa produzia logo o convencia de que era impossível concentração e paciência para escrever seus pensamentos sujos. Na miríade de prazeres oferecida pela internet, pegava-se nos vídeos pornôs, nas fotos de mulheres nuas. Masturbava-se, e o gozo lhe trazia o peso da culpa, de ter sido vencido pela compulsão de seus instintos. Com as mãos limpas, voltava ao PC, onde abria seu software de conversação. Lá construía sua personalidade. Identificava-se como John Milton, escritor inglês do século XVII, mas cuja existência só soube a partir do filme &lt;em&gt;Advogado do Diabo&lt;/em&gt;, no qual Al Pacino encarnava o diabo sob a forma humana de um advogado, homônimo ao autor de &lt;em&gt;Paradise Lost&lt;/em&gt;. Abaixo, uma citação extraída de um frustrado poeta brasileiro, da geração ultra-romântica: “Tudo é podre no mundo. Que me importa que ele amanhã se esboroe e que desabe, se a natureza para mim está morta”. No espaço reservado para a imagem, uma pintura de 1847, chamada &lt;em&gt;Romans in the Decadence of the Empire&lt;/em&gt;, de um francês chamado Thomas Coulture, escolhida por ter sido a única imagem razoavelmente decente que encontrou com a palavra &lt;em&gt;decadence&lt;/em&gt; no site de busca. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/S93tPYsBH6I/AAAAAAAAAF8/7kr4B95_Luw/s1600/Thomas_Couture_003.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/S93tPYsBH6I/AAAAAAAAAF8/7kr4B95_Luw/s320/Thomas_Couture_003.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Com o personagem construído, passava horas e horas conversando nos chats, buscando conversar sobre sua visão de mundo. Como tinha um blog em que despejava sua visão “pessimista” e esbanjava sua erudição de orelha de livro, conseguia atrair algumas mulheres impressionadas com suas referências, e as colecionava na sua lista. Mas nunca saia dali, no máximo para as aulas da faculdade, onde tentava se formar em Literatura. Ampliava a cada dia mais esse mal estar consigo mesmo. Fazia questão de dizer-se odiando, por mais que precisasse sempre conversar. Odiar era um verbo fácil de usar quando se recusava o mundo em nome de uma ficção imaginada. Afinal, era o que praticava todo o tempo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5823728595141322799?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5823728595141322799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5823728595141322799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5823728595141322799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5823728595141322799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/05/decadence-parte-1.html' title='Decadence (parte 1)'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/S93tPYsBH6I/AAAAAAAAAF8/7kr4B95_Luw/s72-c/Thomas_Couture_003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-6592329946481088413</id><published>2010-04-23T16:20:00.000-07:00</published><updated>2010-04-23T18:51:41.899-07:00</updated><title type='text'>Dogville e o Leviatã</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;[Após ser violentada, explorada e acorrentada em Dogville, Grace é libertada pelos capangas de seu pai. Estes a escoltam, até&amp;nbsp;&amp;nbsp;entrar no luxuoso carro do pai mafioso]&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE)&lt;/strong&gt; Vai justificar suas ações antes de atirar em nós? Essa é nova. Isso poderia ser visto como uma fraqueza, estou decepcionada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai)&lt;/strong&gt; Não vou atirar em ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE)&lt;/strong&gt; Já atirou em mim antes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai) &lt;/strong&gt;Sim, é verdade, e me arrependo disso. Você fugiu. Mas lhe deu tempo de pensar em algumas coisas, mas é claro que você é teimosa demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE)&lt;/strong&gt;Se não vai me matar, então porque veio?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai)&lt;/strong&gt; Naquela nossa conversa, você disse por que não gostava de mim e depois fugiu. Eu quero dizer o que &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;desaprovo em você. Acho que assim será uma conversa civilizada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE)&lt;/strong&gt; Foi para isso que veio? E chama a mim de teimosa? Não veio aqui me forçar a voltar e a ser como você?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai) &lt;/strong&gt;Se eu achasse que pudesse forçá-la a voltar, mas isso nunca acontecerá. Você é mais do que bem-vinda. Pode voltar para casa e voltar a ser a minha filha a qualquer hora. Estou até disposto a compartilhar o meu poder com você, se voltar. Mas você não quer saber.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE)&lt;/strong&gt;O que é, então? O que é que você desaprova em mim?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai)&lt;/strong&gt; Foi uma palavra que você usou que me provocou. Você me chamou de arrogante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE)&lt;/strong&gt; Eu tenho o direito de chamá-lo de arrogante, pai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai)&lt;/strong&gt; É exatamente isso que eu não gosto em você. Você é que é arrogante!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE)&lt;/strong&gt; Veio até aqui dizer isso? Não sou eu quem está julgando, é você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai)&lt;/strong&gt; Você não julga ninguém, pois tem pena deles. Uma infância sofrida e um homicídio. Um homicídio é necessário, certo?&amp;nbsp; Você só culpa as circunstâncias. Estupradores e assassinos podem ser vitímas pra você, mas para mim são cachorros! Se estão comendo o próprio vômito, precisam de uma coleira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE) &lt;/strong&gt;Os cães obedecem à sua própria natureza. Por que não merecem perdão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai)&lt;/strong&gt; Podemos ensinar muitas coisas úteis para os cães, mas não se lhes perdoarmos sempre que obedecem à sua natureza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE) &lt;/strong&gt;Então, sou arrogante. Sou arrogante porque perdôo as pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai)&lt;/strong&gt; Não vê o quanto condescendente você parece ao dizer isso? Você tem esta idéia de que ninguém pode chegar, de maneira alguma, a ter os mesmos padrões éticos que você. Eu não posso pensar em nada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mais arrogante do que isso. Você, minha filha, minha querida filha, perdoa as pessoas com desculpas que nunca permitiria dar a si mesma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE)&lt;/strong&gt;Por que não devo ser misericordiosa? Por que?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai)&lt;/strong&gt; Você deve ser misericordiosa na hora de ser misericordiosa. Mas deve manter os seus padrões, você deve isso a eles. O castigo que você merece pelas suas transgressões, eles também merecem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(GRACE) &lt;/strong&gt;Eles são seres humanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(Pai)&lt;/strong&gt; Todo ser humano precisa responder pelos seus atos? Claro que sim! Mas&amp;nbsp; você nem dá a eles essa chance. E isso é extremamente arrogante. Eu amo você,&amp;nbsp; eu amo você demais, mas você é a pessoa mais arrogante que eu já conheci na vida. E chama a mim de arrogante! Eu não tenho mais nada a dizer.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-6592329946481088413?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/6592329946481088413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=6592329946481088413' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6592329946481088413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6592329946481088413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/04/dogville-e-o-leviata.html' title='Dogville e o Leviatã'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-2597768752493901104</id><published>2010-03-29T12:32:00.000-07:00</published><updated>2010-03-29T12:32:51.873-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Desde o fim de sábado, ando com uma siquizira que ronda entre a dengue e a gastroenterite. Como se as coisas já não andassem lá as mil maravilhas, agora vivo nesse vai e vem, entre a UPA e a privada. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdendo as aulas da pós-graduação, talvez mais do que isso, um tempo precioso. É preciso calma, paciência (afinal, foi a falta dela que até aqui me trouxe). Um momento aberto no tempo, o que acontece&amp;nbsp;a cada segundo, enquanto minha barriga faz barulhos estranhos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou suando, e este é um bom sinal. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-2597768752493901104?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/2597768752493901104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=2597768752493901104' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2597768752493901104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2597768752493901104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/03/desde-o-fim-de-sabado-ando-com-uma.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-7118355045126505537</id><published>2010-03-16T17:29:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T17:30:20.128-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>O amor segundo Adriano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os cínicos e os moralistas concordam em colocar a volúpia do amor entre os prazeres ditos grosseiros, como o prazer de comer e de beber, declarando-a, contudo, menos indispensável do que aqueles, visto que eles podem perfeitamente prescindir dela. Do moralista tudo se espera, mas espanto-me que o cínico se tenha enganado. Admitamos que uns e outros receiem seus próprios demônios, seja porque lhes resistam, seja porque se lhes entreguem, esforçando-se por aviltar o prazer a fim de lhe tirar o poder quase terrível sob o qual sucumbem, e diminuir o estranho mistério no qual se sentem perdidos. Acreditaria nessa associação do amor às alegrias puramente físicas (supondo-se que tais alegrias existam) no dia em que visse um gastrônomo soluçar de prazer diante do seu prato favorito, tal como o amante sobre um ombro amado. De todos os jogos, o do amor é o único capaz de transtornar a alma e, ao mesmo tempo, o único no qual o jogador abandona-se necessariamente ao delírio do corpo. Não é indispensável que aquele que bebe abdique da razão, mas o amante que conserva a sua não obedece inteiramente ao deus do amor. Tanto a abstinência quanto o excesso não engajam senão o homem só. Salvo no caso de Diógenes, cujas limitações de caráter de racional pessimista definem-se por si mesmos, toda experiência sensual nos coloca em face do Outro, acarretando-nos as exigências e as servidões da escolha. Não conheço, fora do amor, outra situação em que o homem deve decidir-se por motivos mais simples e mais inelutáveis. No amor, o objeto escolhido deve valer exatamente seu peso bruto em prazer, e é ainda no amor que o amante da verdade tem maiores probabilidades de julgar a nudez da criatura. &lt;strong&gt;A partir do desnudamento total, comparável ao da morte, de uma humildade que ultrapassa a da derrota e a da prece, maravilho-me ao ver renovar-se, cada vez, a complexidade das recusas, das responsabilidades, das promessas, das pobres confissões, das frágeis mentiras, dos compromissos apaixonados entre nosso prazer e o prazer do Outro, tantos laços impossíveis de romper e tão depressa rompidos!&lt;/strong&gt; Este jogo cheio de mistérios, que vai do amor de um corpo ao amor de uma pessoa, pareceu-me belo o bastante para consagrar-lhe uma parte de minha vida. &lt;strong&gt;As palavras enganam, especialmente as do prazer, que comportam as mais contraditórias realidades, desde as noções de aconchego, doçura e intimidade dos corpos, até as da violência, da agonia e do grito.&lt;/strong&gt; A pequena frase obscena de Posidônio sobre o atrito de duas parcelas de carne, que te vi copiar nos teus cadernos escolares com aplicação de menino ajuizado, é incapaz de definir o fenômeno do amor, assim como a corda que o dedo faz vibrar não pode explicar o milagre dos sons. Essa frase insulta menos a volúpia do que à própria carne, esse instrumento de músculos, sangue e epiderme, essa nuvem vermelha de que a alma é o relâmpago.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Confesso que a razão permanece confusa em presença do prodígio do amor, da estranha obsessão que faz com que essa mesma carne, que tão pouco nos preocupa quando compõe nosso corpo, limitando-nos somente a lavá-la, nutri-la e, se possível, impedi-la de sofrer, possa inspirar-nos uma tal paixão de carícias simplesmente porque é animada por uma personalidade diferente da nossa e porque representa certos traços de beleza sobre os quais, aliás, os melhores juízes não estariam de acordo. Aqui, como nas revelações dos Mistérios, tudo se passa além do alcance da lógica humana.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;A tradição popular não se enganou ao ver no amor uma forma de iniciação e um dos pontos onde o secreto e o sagrado se tocam. A experiência sensual equipara-se ainda aos Mistérios quando a primeira aproximação provoca nos não iniciados o efeito de um rito mais ou menos assustador, escandalosamente desligado de todas as funções até então familiares, como comer, beber e dormir, parecendo antes motivo de gracejo, vergonha, ou terror.&lt;/strong&gt; Da mesma maneira que arrasta-nos para um universo diferente, onde, em situação normal, nos é vedada a entrada e onde cessamos de nos orientar, uma vez apagado o ardor e extinto o prazer. Cravado no corpo amado como um crucificado à sua cruz, penetrei em certos segredos da vida que começam a desvanecer-se da minha lembrança por efeito da mesma lei que faz com que o convalescente, depois de curado, cesse de encontrar-se nas misteriosas verdades do seu mal, e que o prisioneiro posto em liberdade esqueça a tortura, e o triunfador a embriaguez da glória. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por vezes sonhei de elaborar um sistema de conhecimento humano baseado no erotismo. &lt;strong&gt;Uma teoria do contacto na qual o mistério e a dignidade de outrem consistiriam precisamente em oferecer ao Eu esse ponto de ligação com um mundo desconhecido.&lt;/strong&gt; A volúpia seria, nessa filosofia, a forma mais completa e mais especializada de aproximação com o Outro, uma técnica a mais colocada a serviço do conhecimento de uma individualidade estranha à nossa. Nos encontros, mesmo os menos sensuais, é ainda no contacto que a emoção nasce ou morre, tal como acontece com a mão um tanto repugnante da velha que me apresenta uma petição, a fronte úmida do meu pai em agonia, ou a chaga lavada de um ferido. As próprias relações mais intelectualizadas, ou as mais neutras, ocorrem através desse sistema de sinais materiais: o olhar subitamente iluminado do tribuno a quem explico determinada manobra numa manhã de batalha; a saudação impessoal do subalterno que nossa passagem imobiliza em atitude de obediência; o olhar amistoso do escravo a quem agradeço por trazer-me uma bandeja; ou a expressão apreciadora de um velho amigo ante o camafeu grego com que acabamos de presenteá-lo. Com a maior parte das pessoas, os mais ligeiros ou mais superficiais desses contactos bastam a nosso desejo, ou até o excedem. &lt;strong&gt;Que esses mesmos contactos insistam e se multipliquem em torno de uma criatura única até bloqueá-la toda inteira; que cada detalhe de um corpo apresente para nós tantas significações perturbadoras como os traços de um rosto; que um único ser, em vez de inspirar-nos quando muita irritação, prazer ou aborrecimento, nos obsidie como uma melodia ou nos atormente como um problema; que esse ser passe da periferia do nosso universo ao seu centro, que se torne mais indispensável do que nós próprios, e estará realizado o admirável prodígio: assistiremos então à invasão da carne pelo espírito, e não mais um passatempo do corpo.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Marguerite YOURCENAR, Memórias de Adriano, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980. pp.20-1 (6ª edição).)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-7118355045126505537?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/7118355045126505537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=7118355045126505537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7118355045126505537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7118355045126505537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/03/o-amor-segundo-adriano.html' title='O amor segundo Adriano'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1472814439896074256</id><published>2010-03-13T03:46:00.000-08:00</published><updated>2010-03-13T03:46:27.281-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Deus do céu, como "Only by the night", do Kings of Leon, é sensacional! O melhor cd de rock que ouvi desde "Ten", do Pearl Jam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço a miníma idéia do que fazer hoje. Segunda começa o Mestrado. A que passou foi foda, no pior sentido possível do termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho que rever "Dogville", &amp;nbsp;reorganizar as minhas coisas, meus livros, textos. As coisas andam bem confusas e&amp;nbsp; tensas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENFIM!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1472814439896074256?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1472814439896074256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1472814439896074256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1472814439896074256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1472814439896074256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/03/deus-do-ceu-como-only-by-night-do-kings.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-8293416055162357355</id><published>2010-03-07T15:36:00.000-08:00</published><updated>2010-03-07T15:39:33.555-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reminiscências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='liberdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alcool'/><title type='text'>Outro dia (...)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia, tive um prazer que nunca havia experimentado. Chegara cedo à comemoração do aniversário de uma amiga, na Lapa, então acabei procurando um bar para tomar uma cerveja, enquanto ninguém chegava. Acabei me alocando na esquina da Lavradio com a Riachuelo, num estabelecimento que já sou freqüentador, mas no qual nunca havia estado sozinho. Sentei e pedi uma Brahma. Ante a ausência da predileta, optei pela Antártica. Quatro e cinqüenta era caro para uma cerveja, mas estava razoável para os padrões da Lapa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tempos de choque de ordem, achar um bar onde possa beber e fumar é quase um privilégio. Oliveira (todo garçom pode ser carinhosamente assim chamado, uma convenção entre meus amigos) trouxe a garrafa, poupei-lhe o esforço e enchi meu copo. Tinha estudado boa parte da tarde no Real Gabinete Português de Leitura e posteriormente no CCBB, procurando bibliografia para uma pesquisa em que estou trabalhando quase de graça (ossos da amizade!). Na noite anterior, dormira pouco, fichando textos importantes e envolto em pensamentos pervertidos. Enfim, estava cansado, e o lugar que haveria de ir em seguida, onde se daria a comemoração para a qual lá estava, não era de meu gosto, cerveja cara, gente empolada, música ruim e sem espaço externo para fumar. Comparecer era uma obrigação de amigo, a qual minha consciência ainda não consegue suportar o peso de não cumprir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro gole na Antártica foi maravilhoso, como todos os primeiros goles após um dia fatigante de trabalho. É de um alívio, digamos, ao nível da subsistência, imagino que comparável daqueles que tomam vodca ou uísque para suportar o frio do inverno russo ou escandinavo. Estava com a bolsa pesada de livros que havia comprado horas antes num sebo, e a aloquei no meu colo. Após duas goladas generosas, acendi meu cigarro, e me pus a observar o movimento. Sete da noite ainda era cedo para o “fervo”. Como sempre, muitos mendigos passavam, meninos de rua, alguns engraxates, vendedores de amendoim, até trabalhadores, engravatados, estudantes saindo da faculdade. Aquele era um lugar que as pessoas costumam chamar de “democrático”, pois fica estrategicamente localizada entre o Centro – comercial, empresarial, cultural – e alguns bairros residenciais, como Santa Tereza, Bairro de Fátima, Praça da Cruz Vermelha. Porém não há nada de democrático, pelo menos a noite, dado os preços exorbitantes aplicados na região. Andava realmente desgostando do núcleo da “legítima” carioquice. Maldita revitalização! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como minha paciência de voyeur não é muito grande, logo me enfastiei, e pus-me a manusear os livros que havia comprado. Abri a primeira página de “O Clube do Filme” e comecei a lê-lo. Este livro trata da tentativa de um pai canadense, crítico de cinema, de proporcionar alguma educação ao filho de 16 anos, dando-lhe a oportunidade de deixar de freqüentar a escola, na qual ia de mal a pior, por uma atividade diária de assistir três filmes, a escolha do pai. No dia posterior, descobriria que o David Gilmour, autor do livro, não é o do Pink Floyd, como um amigo meu havia dito. A leitura cativava-me a cada linha, e não parei de ler. Bebia, fumava e lia. Tudo ao meu redor desapareceu e senti uma sensação subitamente agradável. Nada tirava a minha atenção, a não ser quando a garrafa terminava. Ficar só sempre foi um problema para mim, e estava feliz de não ser naquele momento. Aos poucos, senti a onda da cerveja subir-me a cabeça, já na terceira garrafa. Embora a leitura continuasse agradável, fechei o livro e pedi a conta. O resto da noite não interessa, pois não foi agradável. O que me leva a acreditar que, momentaneamente, a solidão tem me feito feliz. Estou meio cansado do “fervo”, de ouvir, de trocar alguma coisa. Melhor, não estou tendo necessidade disso, de algo que sempre me foi uma constante. Ando encontrando os outros, na maioria das vezes, mais como dívida de amizade do que por prazer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falta-me ainda uma coisa. Quer dizer, falta-me muita&amp;nbsp;coisa. Plenitude, só morrendo.&amp;nbsp;Refiro-me aquilo que me falta com mais urgência.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Liberdade para amar, ou amar com liberdade. De certa forma, ainda me parecem palavras paradoxais. Talvez o primeiro passo tenha sido dado para desconstruir essa impressão. Amanhã tenho analista. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou falar de mulheres. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-8293416055162357355?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/8293416055162357355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=8293416055162357355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8293416055162357355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8293416055162357355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/03/outro-dia.html' title='Outro dia (...)'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-7266138093604146737</id><published>2010-02-28T05:06:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T05:06:55.089-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Aprendendo a deixar as coisas mal resolvidas e a&amp;nbsp;levar a vida, imperfeitamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-7266138093604146737?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/7266138093604146737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=7266138093604146737' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7266138093604146737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7266138093604146737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/02/aprendendo-deixar-as-coisas-mal.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-6966123982046834075</id><published>2010-02-27T14:02:00.000-08:00</published><updated>2010-02-27T14:02:06.451-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Faz mais de dois anos desde que ela me largou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia está chuvoso e quente. Não consigo largar o cigarro. Eu ainda penso nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria sentir saudades, mas eu sinto, e isso me incomoda muito. Tenho que preparar uma aula sobre Império Ultramarino Português. Nossa melhor trepada foi nesse sofá, quase a fiz gozar. Ela era uma idiota, e eu nunca fiz uma mulher gozar. Será falta de vocação? Céus, que calor! Nem essa maldita chuva para refrescar o dia! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida não tem título.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-6966123982046834075?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/6966123982046834075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=6966123982046834075' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6966123982046834075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6966123982046834075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/02/faz-mais-de-dois-anos-desde-que-ela-me.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5925070702903616277</id><published>2010-02-21T20:04:00.000-08:00</published><updated>2010-02-21T20:04:53.794-08:00</updated><title type='text'>Escrevendo de madrugada para o sono vir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe, gostaria de aprender a andar sujo. De saber carregar a dor, o incômodo, e fazer outras coisas, enquanto&amp;nbsp;aquelas&amp;nbsp;&amp;nbsp;não passam. Acho que me falta uma certa paciência, persistência. Tenho medo de me testar, de correr riscos. Dormir às cinco para acordar às seis. Viver a vida desrespeitando as normas do bem viver. Estudar de ressaca, dormir sem tomar banho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda sou muito fresco, não, medroso. Já fui mais em algumas coisas, creio que estou me transformando. Preservo meus prazeres mesquinhos. O pior é perceber um poder absurdo dentro de mim, que este instinto conservativo parece me impedir de liberar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Um pouco mais de sujeira, de desprendimento, de resistência. Só isso que falta. Sei que não vou mudar do dia para noite. Passei da fase de acreditar em revoluções abruptas. Quero deixar de ter medo. Só eu sei do que estou falando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5925070702903616277?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5925070702903616277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5925070702903616277' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5925070702903616277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5925070702903616277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/02/escrevendo-de-madrugada-para-o-sono-vir.html' title='Escrevendo de madrugada para o sono vir'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-3083601632583026089</id><published>2010-02-19T17:25:00.000-08:00</published><updated>2010-02-19T17:27:17.893-08:00</updated><title type='text'>Olhos de realidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era umas nove&amp;nbsp;e pouco da noite e&amp;nbsp;vinha de Botafogo no metrô, sentado e pensando no filme que havia acabado de assistir. De repente, passeando os olhos pelo interior do vagão, deparei-me com outros que me encaravam. Estava entre a terceira e quarta fileira de cadeiras na minha diagonal, num pequeno espaço deixado pelas pessoas sentadas a sua frente. &amp;nbsp;Via sua imensa cabeça, quadrada de nordestino, uma blusa aberta nos primeiros botões, talvez fosse gordo. Desviei o olhar, pensando ser uma mera coincidência, mas toda vez que passava meu olhar naquela direção, encontrava aqueles olhos, cheios de raiva, ameaçadores. Engoli seco, um gelo me&amp;nbsp;subiu pela espinha, e busquei evitar aqueles olhos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Concentrei-me num casal aparentemente gay que adentrou o vagão na estação do Flamengo,&amp;nbsp;mas&amp;nbsp; não saia da minha cabeça toda uma cena, do homem vindo na minha direção a me fazer algum mal de que nunca saberia. Os garotos perceberam a minha atenção,&amp;nbsp;e para evitar constrangimentos maiores, desfoquei deles. Para meu alívio, os olhos do homem não mais me fitavam.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele&amp;nbsp;levantou e desceu na Central, sem me encarar.&amp;nbsp;Começo a acreditar que&amp;nbsp;o que tanto temi não estava naqueles olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-3083601632583026089?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/3083601632583026089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=3083601632583026089' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3083601632583026089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3083601632583026089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/02/olhos-de-realidade.html' title='Olhos de realidade'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-9055680950785211768</id><published>2010-02-18T09:08:00.000-08:00</published><updated>2010-02-18T09:08:38.230-08:00</updated><title type='text'>Dias de Nada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu escrevo não é a última bolacha do pacote. Expressão deliciosa: "a última bolacha do pacote". Até gosto deste fato, que permite fazer uso dessa coisa gostosa. "A última bolacha do pacote" é a "última bolacha do pacote". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui no Rio faz um tempo gostoso, quase de outono. Esse tempinho meio chuvoso, esse ventinho meio frio, tudo tão mais ou menos. Para não fazer nada. Deus! Como amo! É o que estou fazendo agora. Ou você acha que escrever sobre o tempo é alguma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também encontrei uma música para ocupar meus ouvidos. Lux Aeterna, interpretada pelo the&amp;nbsp;Kronos Quartet. Não foi um encontro propriamente dito, mas um reencontro. Estava num desses dias de nada vendo a patinação artística dos Jogos de Inverno quando uma dupla canadense entrou com essa música. Me veio na hora, "Réquiem para um Sonho".&amp;nbsp; É magnífico: um sentimento de tensão que precede a morte, mesmo nunca&amp;nbsp;tendo estado&amp;nbsp;lá. Gravidade calma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A última bolacha do pacote. Uns filminhos para os dias finais do Carnaval. "Gran Torino". Meus blocos. Saudades boas. Um ano excepcional pela frente. Não é hora para isso. Garganta meio irritada, um marasmo de corpo doente. Meu resfriado trouxe o frescor! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A última bolacha do pacote. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-9055680950785211768?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/9055680950785211768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=9055680950785211768' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/9055680950785211768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/9055680950785211768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/02/dias-de-nada.html' title='Dias de Nada'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1927459888646199749</id><published>2010-02-15T05:25:00.000-08:00</published><updated>2010-02-15T05:25:22.143-08:00</updated><title type='text'>Todo Carnaval tem seu fim!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais um Carnaval chega ao fim. O meu, pelo menos. Ano que vem vai ser diferente. Mais longo, espero. Preparar fantasias, confetes e serpentina com&amp;nbsp;bastante antecedência! Brincar,&amp;nbsp;brincar, brincar...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E para os que não gostam dos festejos de fevereiro, que acham festa de babaca, puta e viado; para aqueles que adoram julgar, que odeiam por odiar sem indagar porque se odeia, que fiquem com seus julgamentos. Eu respeito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois esse é o espírito: existe um outro! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1927459888646199749?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1927459888646199749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1927459888646199749' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1927459888646199749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1927459888646199749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/02/todo-carnaval-tem-seu-fim.html' title='Todo Carnaval tem seu fim!'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-6278008764678644186</id><published>2010-01-31T18:58:00.000-08:00</published><updated>2010-01-31T18:58:13.158-08:00</updated><title type='text'>Futuro do Pretérito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O futuro do pretérito é o tempo verbal da insatisfação do homem com a sua imperfeição&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da realidade alternativa que nunca existiu, mas que gostaríamos que tivesse existido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da moralidade, que impele ao homem do presente a responsabilidade do que não mais existe&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da impossibilidade de conceber que não há mais possibilidade de escolha&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que o que passou é e nunca deixará de ser inexorável&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É o tempo da dor, que possivelmente não passará&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É o tempo da cruz que insistimos em carregar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o tempo da civilização&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-6278008764678644186?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/6278008764678644186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=6278008764678644186' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6278008764678644186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6278008764678644186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/01/futuro-do-preterito.html' title='Futuro do Pretérito'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5203085334417909298</id><published>2010-01-27T18:10:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T12:55:45.934-08:00</updated><title type='text'>Adeus superego!</title><content type='html'>Eu estou bêbado! O suficiente para dizer coisas que não diria sóbrio, mas não tanto para deixar passar erros de português. Hoje não haverá ilustrações, contente-se com essa realidade sem graça, pois essa é a verdadeira. Minha noite foi maravilhosa. Conquistei um amigo, alguém que há muito admirava, e parece que agora ele me considera um par. Conversamos assuntos relevantes, sobre mulheres, e bebemos, &lt;em&gt;a lot&lt;/em&gt;! Enquanto bebíamos, apareceu uma ruiva maravilhosa, e nos ofereceu uma filipeta de uma wiskeria (leia-se puteiro) que estava abrindo na rua da Quitanda. Number One. Nome misterioso. Meu encantamento "Mandrake" (leia-se: protagonista de Rubem Fonseca, se você não sabe o que é, foda-se, procura no google!) tomou-me conta, fiquei excitado e estimulei meu genial amigo a me acompanhar. Seu&amp;nbsp; pudico espírito "classe merdista" falou mais alto e foi para casa. Na onda das sete cervejas (não é preciso muito para me deixar no brilho), voltei e vivi a minha "aventura" sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma menina se encantou por mim! O diabo da ruiva, com sua excitante tatuagem, era só uma promoter, paguei cervejas, e nem assim fui percebido. Saí pelas onze, antes da noite acabar, cambaleante. Fato: não voltarei! Fato 2: Frustrado? Claro, mas com um auto-estima do tamanho do mundo. Afinal, homens de verdade são aqueles que têm derrotas para contar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5203085334417909298?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5203085334417909298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5203085334417909298' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5203085334417909298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5203085334417909298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/01/adeus-superego.html' title='Adeus superego!'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-3856975429140585213</id><published>2010-01-17T16:13:00.000-08:00</published><updated>2010-01-17T18:53:14.813-08:00</updated><title type='text'>Porque devemos pular Carnaval</title><content type='html'>&lt;div align="left" class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/S1Omx2F7WjI/AAAAAAAAAFc/rbujGuMikUg/s1600-h/910bulls.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/S1Omx2F7WjI/AAAAAAAAAFc/rbujGuMikUg/s320/910bulls.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Francisco de GOYA E LUCIENTES, Spanish Entertainment, 1825&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Os camponeses ficavam nos cabarés dos arredores, bebendo e preparando-se para a fiesta. Haviam chegado tão recentemente das planícies e das montanhas, que precisavam habituar-se gradualmente à mudança de valores. Não podiam começar pagando os preços dos cafés, e gastavam seu dinheiro nas tavernas. O dinheiro tinha ainda seu valor bem definido em horas de trabalho e em alqueires de cereais vendidos. A seguir, durante a fiesta, não teriam mais importância os preços ou os lugares onde os pagassem.&lt;/em&gt; (Ernest HEMINGWAY, O Sol também se levanta, p.163, 1981)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Quem deseja colocar-se na dependência de uma ordem, de uma possessão ou de uma ciência, e se submete à lei (a do lucro ou a da segurança) que elimina, com o risco, a felicidade que ela promete. Aliena-se. Nada “obtém” da felicidade senão representações. Porquanto não parece haver felicidade senão onde o outro é a condição de ser, onde se faz a festa, onde a conservação dos bens é alterada por um dispêndio feito em nome de outrem, de um outro lugar ou do Outro, onde se interpõe a festa de uma generosidade comunicativa, de uma aventura científica, de uma fundação política, ou de uma fé.&lt;/em&gt; (Michel de CERTEAU, Culturas no plural, p.54, 1995.) &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito se critica sobre certo aforismo brasileiro que afirma que o ano começa somente depois do Carnaval. Intrínseca a essa argumentação, encontram-se as opiniões acerca da falta de ânimo ao trabalho do homem tupiniquim e a sua indisposição ao esforço coletivo, à iniciativa de construção do bem comum. O grande historiador paulista Sérgio Buarque de Holanda caracterizava no tipo ideal do aventureiro um dos fatores de nosso atraso, enfatizando a ânsia individual pelo enriquecimento do colonizador português em contraposição ao esforço de construção e planejamento da colonização espanhola. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse tipo de reflexão tem como referência o desenvolvimento histórico de uma sociedade específica, com valores políticos e uma moral social que lhe são próprias. Sérgio Buarque, assim como o liberal francês Alexis de Tocqueville no século XIX, tomavam o exemplo inglês como o grande exemplo de sociedade política, fundada em tradições e instituições que garantiam a estabilidade social e política, e conseqüentemente o progresso tecnológico e econômico. Foi na Inglaterra, dentro desse quadro consolidado, que emergiu a sociedade capitalista, com valores que se expandiram pelo globo e deu formas ao que chamamos de mundo contemporâneo. O capitalismo, que segundo&amp;nbsp;a reflexão&amp;nbsp;webberiana teve o cerne do seu sistema de valores advindos do protestantismo calvinista,&amp;nbsp;&amp;nbsp;fundado&amp;nbsp;na austeridade e&amp;nbsp;na valorização do&amp;nbsp;trabalho, engendrou um outro tipo de cultura, onde o indivíduo passou a valer mais do que a comunidade, e a existência passou a ser definida a partir da condição social possibilitada pelos frutos do trabalho, traduzido em consumo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanto a crítica do liberalismo político quanto a da ética capitalista do trabalho permeiam a opinião do senso comum sobre o “jeitinho brasileiro”, esse povo preguiçoso e malandro que só pensa em “se dar bem”, sempre em detrimento do próximo. Encontraria-se aí a explicação de todos os males do país, desde a desigualdade social à corrupção vigente. Desta feita-se, faz-se um julgamento sobre a evolução histórica de nosso país, rebaixando-o na hierarquia da história da civilização mundial. Logo, o Carnaval, se por um lado se destacaria como a manifestação cultural que melhor representa o povo brasileiro, por outro seria o símbolo maior de nossa inaptidão à civilização. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O preconceito e o julgamento são práticas ontologicamente humanas. Desde nosso nascimento, somos delimitados cultural e historicamente pelo mundo ao nosso redor, educados nos valores dessa sociedade que legitima comportamentos repressivos. Valorizamos tanto o trabalho porque fomos instruídos nessa moral social,&amp;nbsp; funcionando nos limites do fracasso e sucesso, onde os homens são reconhecidos por padrões de poder, riqueza e beleza que supervalorizam a capacidade do indivíduo de se engrandecer. Passamos um terço da vida nos sacrificando para atingir esses padrões, lutando contra o estigma do fracasso que a competição estrutural nos impõe, e que se existe é&amp;nbsp;porque partilhamos e aceitamos essas representações. É essa sociedade, são esses valores, que denigrem o Carnaval, ou tentam transformá-lo em lucro, utilidade, produto e consumo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que há de verdadeiramente revolucionário no Carnaval se assemelha à narrativa de Heminghway acerca do comportamento dos camponeses nas touradas de Pamplona. Um momento onde o maior valor é a fruição, a felicidade em estar compartilhando a alegria com outros, onde o semelhante não é um adversário, e sim um partícipe. Um sentimento instintivo, que é subversivo pois reage à moral social, onde – e este é o caso específico do Carnaval – o ridículo encontra um momento de aceitação. Se as festas de Pamplona têm um caráter assumidamente religioso, o Carnaval justifica-se dentro do universo cultural católico brasileiro como uma festa laica de descarrego e luxúria que prepara os quarenta dias de privação que antecede a purgação da culpa que está no princípio do Cristianismo. Se Cristo se doara em nome de seu povo, essa doação nos foi cobrada em séculos de repressão cultural, consolidada em instituições que acabaram por desnaturalizar o próprio homem. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Carnaval, em sua significação mais essencial, na espontaneidade da&amp;nbsp;sua &amp;nbsp;festa, escorregadio aos tentáculos disciplinadores da ordem do Estado e do capital, nos põe de volta em contato com os nossos instintos mais naturais, e que só adquire seu sentido na presença do outro, com quem se compartilha um estado de catarse ocasionado pela fruição, abrindo um canal desobstruído de comunicação. Obtém assim uma felicidade que, seguindo pelas idéias de Michel de Certeau, não se restringe à dependência das representações produzidas pela ordem e seu discurso de autoridade. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-3856975429140585213?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/3856975429140585213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=3856975429140585213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3856975429140585213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3856975429140585213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2010/01/porque-devemos-pular-o-carnaval.html' title='Porque devemos pular Carnaval'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/S1Omx2F7WjI/AAAAAAAAAFc/rbujGuMikUg/s72-c/910bulls.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-2892650429713962135</id><published>2009-12-25T19:36:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T19:36:26.179-08:00</updated><title type='text'>Peso imenso no peito</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SzWETOml9GI/AAAAAAAAAFE/i4nqDbgJwqY/s1600-h/Coracao.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SzWETOml9GI/AAAAAAAAAFE/i4nqDbgJwqY/s200/Coracao.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Eu tenho um peso imenso no coração. Sinto-lhe a cada momento, a cada respiração. Nos últimos tempos, ando percebendo-lhe com mais força. Esse peso parece ser a origem dos meus risos, das minhas lágrimas, das minhas alegrias, preocupações e tristezas. E é como se sempre estivesse ali alojado, no lado esquerdo do peito, mas só agora percebesse a sua existência, e essa percepção me desse conta da minha própria existência. Uma espécie da calma contemplativa que de uma hora para outra me tomasse, abrindo uma janela incrivelmente panorâmica de mim sobre mim. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É como se tivesse descoberto o mapa dos sentimentos, e agora não quero mais nada além de sentir. Eu os provoco constantemente, buscando aquilo que por tanto tempo ignorei. Só me basta sentir este peso imenso no meu peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra solução seria procurar um cardiologista. Os efeitos do cigarro&amp;nbsp;podem ser&amp;nbsp;devastadores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-2892650429713962135?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/2892650429713962135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=2892650429713962135' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2892650429713962135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2892650429713962135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/12/peso-imenso-no-peito.html' title='Peso imenso no peito'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SzWETOml9GI/AAAAAAAAAFE/i4nqDbgJwqY/s72-c/Coracao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-8318292764733447145</id><published>2009-12-14T19:28:00.000-08:00</published><updated>2009-12-19T07:28:22.655-08:00</updated><title type='text'>Na varanda</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SycCKoFY_hI/AAAAAAAAAEw/0m4KFRJ3TnI/s1600-h/varanda.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" rs="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SycCKoFY_hI/AAAAAAAAAEw/0m4KFRJ3TnI/s200/varanda.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Marcelo&amp;nbsp;vai&amp;nbsp;a varanda da casa de samba para fumar. Outros fumantes também lá se encontram. Enquanto observa o movimento da rua do Riachuelo, tragando o seu cigarro, duas meninas se aproximam do rapaz, conversando animadamente. Acendem seus respectivos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;cigarros, e uma delas, olhando um conjunto de balões de festa amarrados na grade da varanda, volta-se para Marcelo com um olhar travesso, e aproximando seu cigarro dos balões, pergunta:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Posso? &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com um ar blasé, Marcelo responde: &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Fique a vontade. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A menina estoura o primeiro, Marcelo se anima e estoura outro em seguida, e assim seguem até que todos são estourados.A menina volta-se novamente a Marcelo: &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É bom, né!?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rapaz acena afirmativamente com a cabeça, sem nada dizer. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em seguida, após um breve momento reflexivo, Marcelo pergunta: &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Escuta, você bem que poderia gostar de mim?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Sério, e como? - A menina responde ironicamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Não faço a mínima idéia, você quer que eu pense em tudo também?!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A menina e sua amiga soltam uma gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Você é engraçado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-E você é a menina mais linda que eu já vi.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Deixa de ser mentiroso, você só está falando isso para me pegar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Bem, se o seu auto-estima não a deixa reconhecer este fato, problema é seu, mas não queira &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;questionar a minha verdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ambas ficam estarrecidas com a resposta do rapaz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Você acha que vai conseguir alguma coisa com essa grosseria?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Eu sei que não, mas fazer o quê, nunca fui bom nisso mesmo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Você é muito estranho!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As meninas vão embora, cochichando debochadamente sobre o acontecimento. Pensativo, Marcelo volta novamente o seu olhar para o movimento da rua, acende outro cigarro, e pensa consigo mesmo:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Por que eu sempre faço isso?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-8318292764733447145?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/8318292764733447145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=8318292764733447145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8318292764733447145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8318292764733447145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/12/na-varanda.html' title='Na varanda'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SycCKoFY_hI/AAAAAAAAAEw/0m4KFRJ3TnI/s72-c/varanda.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-3162117351499935530</id><published>2009-10-25T21:28:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T15:31:01.900-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comédia'/><title type='text'>Uma Boa Surpresa!</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SuUlUKHpNuI/AAAAAAAAAEg/wKfOmv5eDPU/s1600-h/adventureland_06.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SuUlUKHpNuI/AAAAAAAAAEg/wKfOmv5eDPU/s200/adventureland_06.jpg" vr="true" /&gt;&lt;/a&gt;Poucas vezes, em minha razoável história de espectador de filmes, fui tão surpreendido por um filme como por Adventureland. Primeiramente, pela tradução do nome do filme para o português, que com o patético nome de “Férias Frustradas de Verão”, remete à série de filmes protagonizadas por Chevy Chase, no final dos anos 80. Um amigo indicou-me o filme (Alô Vinicius!), e seu bom gosto para filmes me levou a renegar o preconceito da primeira impressão. Ao procurar mais sobre o filme, as coisas começaram a caminhar para uma promissora expectativa: o filme era dirigido por Gregg Motola, o mesmo de “Superbad”, talvez a melhor comédia dos últimos anos. No elenco, um dos personagens mais engraçados de “Superbad”, além da promissora Kirsten Stewart, cuja beleza juvenil e rebelde vem atraindo a atenção de Hollywood (e a minha) há algum tempo. Estranhei, por não vê-la como atriz de comédia, mas enfim, ainda jovem, nada demais variar um pouco de gênero.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lançado nesse ano (2009) e saido diretamente em DVD no Brasil, o filme conta a história de James Brennan, um adolescente típico americano, que após terminar a High School, sonha em viajar pela Europa e em culturas mais liberais em relação ao sexo, perder a virgindade. Ocorre que o pai acaba rebaixado de emprego, fazendo o seu&amp;nbsp;sonho ir por água abaixo. Vê-se então&amp;nbsp;obrigado a trabalhar num parque de diversões durante o verão, para poder bancar seus estudos numa Universidade de Nova York. É nesse emprego para &lt;em&gt;losers&lt;/em&gt; que James conhece Em, uma misteriosa e bela jovem, que trabalha no parque para irritar a madrasta obcecada pelo status social. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quem, como eu, esperava uma comédia tipo Superbad, fazendo graça de absurdas e possíveis&amp;nbsp;situações do cotidiano adolescente, deu com a cara na porta. Porém, se o humor não é tão extasiante, esse filme traz uma&amp;nbsp;grande dose de sensibilidade, ao tratar das difíceis relações entre pais e filhos e das descobertas da juventude. Trazendo um jovem que idealiza o sexo ao ponto da ingenuidade, o filme trata com beleza e naturalidade o tema da virgindade, quebrando assim com os paradigmas das tradicionais comédias adolescentes norte-americanas (jovens em ebulição sexual ávidos por sexo). Jesse Eisenberg dá o tom certo de inocência ao personagem, e Kirsten Stewart coloca o peso devido no papel da garota mais experiente, passando longe dos estereótipos que geralmente são encarnados nesse tipo de papel. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, uma excelente surpresa, apesar do pacote causar um pouco de receio. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P.S: Que diabos ocorre com as distribuidoras de filmes para o Brasil que fazem essas traduções que descaracterizam totalmente o filme. Por que não deixar Adventureland, em vez de inventar essas traduções toscas? &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-3162117351499935530?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/3162117351499935530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=3162117351499935530' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3162117351499935530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3162117351499935530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/10/uma-boa-surpresa.html' title='Uma Boa Surpresa!'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SuUlUKHpNuI/AAAAAAAAAEg/wKfOmv5eDPU/s72-c/adventureland_06.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-8390922940928192717</id><published>2009-10-22T21:02:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T21:02:39.200-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='juventude'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televisão'/><title type='text'>Saindo do padrão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SuEpJL95yLI/AAAAAAAAAEQ/T8KYYawjTkg/s1600-h/descolados-nova-serie-da-mtv-80-429-thumb-570.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SuEpJL95yLI/AAAAAAAAAEQ/T8KYYawjTkg/s200/descolados-nova-serie-da-mtv-80-429-thumb-570.jpg" vr="true" /&gt;&lt;/a&gt;Vou sair um pouco do meu padrão de postagens e comentar rapidamente (são quase duas da manhã e amanhã é dia de branco) dois programas&amp;nbsp;de televisão que me despertaram a atenção&amp;nbsp;e me produziram efeitos distintos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;O primeiro, o qual acabei acompanhando a temporada quase inteira, foi o "Descolados", um seriado jovem que estreou esse ano na MTV (acho tão mais bonito quando falam aquele eMêTêVê bem abrasileirado). Com um elenco talentoso, um argumento bacana (três jovens encontram-se por acaso e resolvem dividir um apartamento em São Paulo, vivendo e dividindo&amp;nbsp;as agruras e alegrias da juventude e da megalópole), estórias divertidas e bem construídas (apesar de nada profundas, produzem um bom entretenimento), além de um formato inovador de cinema digital (não entendo muito, mas me deu essa impressão) para programas desse tipo; torna-se, na minha opinião, um excelente entretenimento para as pessoas que gostam de acompanhar seriados que produzem uma certa identificação com a juventude atual (ou uma parte, talvez eu me encaixe nela, ainda), sem se ater a clichês ou subestimar a inteligência do espectador. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SuEpLduNhZI/AAAAAAAAAEY/kNWPdksAehM/s1600-h/aline_globo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SuEpLduNhZI/AAAAAAAAAEY/kNWPdksAehM/s200/aline_globo.jpg" vr="true" /&gt;&lt;/a&gt;O segundo é o seriado "Aline", que passa na Globo às quintas à noite. Nutria uma certa expectativa em relação a este, devido principalmente ao elenco, destacando o promissor talento da&amp;nbsp;intérprete da protagonista,&amp;nbsp;Maria Flor, e ao mote inusitado de tratar do universo de uma menina meio louquinha com dois namorados e muita estória pra contar. Vou ser sincero. Apesar de ter me&amp;nbsp;encantado pela beleza, simpatia e charme&amp;nbsp;da protagonista, achei o programa bem ruinzinho, com uma falta de quimíca e, diria, até um certo engessamento do elenco, o abuso de clichês na composição dos personagens (uma versão mais inteligente - não é um elogio - da Clarah Averbruck, com dois namorados totalmente descompassados) , além de uma certa falta de &lt;em&gt;leitmotiv&lt;/em&gt; na estória em si.&amp;nbsp;Se por um lado, faltou um pouco de talento para o&amp;nbsp;humor&amp;nbsp; dos atores e do próprio texto; por outro, nos momentos onde se buscou uma certa sensibilidade, explorar&amp;nbsp;um momento mais sério e comovente, como numa cena onde&amp;nbsp;Aline volta a casa onde foi criada e&amp;nbsp;revive em pensamentos os momentos de sua infância e adolescência, me parece que faltou um cuidado mais sensível do diretor na construção do cena.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez esteja sendo apressado, afinal, asssisti apenas a um capítulo desse seriado. Mas aqui deixo minha opinião sobre esse dois programas que me chamaram a atenção, positiva e negativamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-8390922940928192717?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/8390922940928192717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=8390922940928192717' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8390922940928192717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8390922940928192717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/10/saindo-do-padrao.html' title='Saindo do padrão'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SuEpJL95yLI/AAAAAAAAAEQ/T8KYYawjTkg/s72-c/descolados-nova-serie-da-mtv-80-429-thumb-570.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1273695913289146043</id><published>2009-10-12T05:41:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T05:45:37.115-07:00</updated><title type='text'>Procura-se</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/StMkx2O7VFI/AAAAAAAAAD8/941pAvDD0sU/s1600-h/interroga%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391693617682928722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/StMkx2O7VFI/AAAAAAAAAD8/941pAvDD0sU/s320/interroga%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho estado a procura de algo para me obcecar e ando perdendo bastante tempo a pensar nisso. Deve relacionar-se com meu campo de trabalho (sou historiador, mas não precisa acreditar), a minha preocupação com o desenvolvimento de uma metalinguagem literária que reflita as condições possíveis de estórias, as mais diversas e infinitas escalas de observação do indivíduo, a historicidade do homem e da linguagem, a condição existencial na contemporaneidade (ou na pós-modernidade, dependendo da sua opção teórica). Estou pensando na possibilidade do &lt;span style="font-size:180%;"&gt;acaso&lt;/span&gt; ser um belo tema para iniciar meu processo obsessivo (...)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1273695913289146043?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1273695913289146043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1273695913289146043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1273695913289146043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1273695913289146043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/10/procura-se.html' title='Procura-se'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/StMkx2O7VFI/AAAAAAAAAD8/941pAvDD0sU/s72-c/interroga%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-2245699234067195917</id><published>2009-10-11T03:58:00.000-07:00</published><updated>2009-10-11T04:03:35.158-07:00</updated><title type='text'>Despertar</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Nariz entupido, um pouco escorrendo&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Mau hálito e remela no canto do olho&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Voz embargada, cara amassada&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Olhos inchados, ossos travados&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Um imenso bom humor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-2245699234067195917?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/2245699234067195917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=2245699234067195917' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2245699234067195917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2245699234067195917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/10/despertar.html' title='Despertar'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-6942570285959323016</id><published>2009-10-09T11:15:00.000-07:00</published><updated>2009-10-09T11:22:14.796-07:00</updated><title type='text'>Identidade (I)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Ss9_DMegeyI/AAAAAAAAAD0/FQdKBtY6I1c/s1600-h/800px-Alexandre_Cabanel%252C_Ophelia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390666971851291426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 206px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Ss9_DMegeyI/AAAAAAAAAD0/FQdKBtY6I1c/s320/800px-Alexandre_Cabanel%252C_Ophelia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Alexandre Cabanel, Ophelia, 1883&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sua pele era tão pálida, e mais ficava junto às suas roupas, cabelos e maquiagem negras. Ouvia sempre uma música muito triste. Dizia a todos que vivia por viver e que em nada acreditava. Sua crença era afirmar a descrença. Lia Nietzsche, Heidegger, Camus, Sartre, e se dizia existencialista. Andava com gente parecida, viviam a fumar cigarros importados, beber cervejas importadas e conversar sobre a aspereza da vida. Tinha aforismos para tudo. Diziam pouco se foder para a miséria e a pobreza, afinal a existência já era em si cruel o bastante. Competiam para saber quem era a pior pessoa, a mais desprezível, a que mais havia sofrido. A menina era conhecida principalmente pelos panegíricos contra o amor, mas vivia sempre enrolada num novo relacionamento dedicado a dar errado, e lamentava-se a cada homem que a decepcionava, ou a quem decepcionava. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era incrivelmente feliz assim!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-6942570285959323016?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/6942570285959323016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=6942570285959323016' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6942570285959323016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6942570285959323016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/10/identidade-i.html' title='Identidade (I)'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Ss9_DMegeyI/AAAAAAAAAD0/FQdKBtY6I1c/s72-c/800px-Alexandre_Cabanel%252C_Ophelia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-7306021762677142739</id><published>2009-10-07T20:40:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T20:52:15.920-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Ss1hxTeveOI/AAAAAAAAADs/LpMnlrrvVVw/s1600-h/Cigarros%2B-Marlboro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390071828703049954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 242px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Ss1hxTeveOI/AAAAAAAAADs/LpMnlrrvVVw/s320/Cigarros%2B-Marlboro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De nada adianta insistir numa relação que se resume ao prazer físico. Não é amor, não é vida. É dependência e auto-destruição. O homem vai mais além. Eu posso ir mais além!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-7306021762677142739?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/7306021762677142739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=7306021762677142739' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7306021762677142739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7306021762677142739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/10/de-nada-adianta-insistir-numa-relacao.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Ss1hxTeveOI/AAAAAAAAADs/LpMnlrrvVVw/s72-c/Cigarros%2B-Marlboro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-7839424458353836910</id><published>2009-10-06T05:43:00.000-07:00</published><updated>2009-10-06T06:10:43.854-07:00</updated><title type='text'>Lembrança</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SstAy4UgZ9I/AAAAAAAAAC8/MyySlYZvokc/s1600-h/desenho_semtitulo_1980.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389472621934962642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 247px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SstAy4UgZ9I/AAAAAAAAAC8/MyySlYZvokc/s320/desenho_semtitulo_1980.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sem título, 1980, Museu de Arte Erótica Romeo Zanchett&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu primeiro gozo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tua boca a provar o gosto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do meu desejo pelo seu corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aspirando suspiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devorando gemidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relevo suave dos seus pêlos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acariciando o meu rosto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na trilha de beijos pelo seu corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde deixei meu desejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E gozei de arrepios. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-7839424458353836910?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/7839424458353836910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=7839424458353836910' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7839424458353836910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7839424458353836910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/10/lembranca.html' title='Lembrança'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SstAy4UgZ9I/AAAAAAAAAC8/MyySlYZvokc/s72-c/desenho_semtitulo_1980.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5118335377763158672</id><published>2009-10-03T17:18:00.000-07:00</published><updated>2009-10-03T18:04:04.188-07:00</updated><title type='text'>Predição</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Ssfrj55Pd4I/AAAAAAAAAC0/G7CeA-v-aVY/s1600-h/maratassin%C3%A9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5388534481240946562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 239px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Ssfrj55Pd4I/AAAAAAAAAC0/G7CeA-v-aVY/s320/maratassin%C3%A9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Jean-Louis David, A morte de Marat, 1793.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que faço de melhor nessa vida? Advinha? Lamentar-me. Sou o campeão, tão bom que lamento a possibilidade de haver alguém que lamente mais e melhor do que eu. Alguém que vá tão fundo quanto eu. Alguém que receba a melhor notícia do mundo e fique pensando que aquele momento de felicidade vai acabar e sofra a alegria! Alguém que não consegue ter nem a dignidade de ficar triste por achar não haver motivo para tristezas, e que certamente está agindo errado! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim, essa pessoa sou eu, &lt;em&gt;sadly&lt;/em&gt; (por quê essa idiotice de escrever em inglês?).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passei quase o dia todo ouvindo Beatles. Isso me faz uma pessoa legal?! Vou aos Democráticos dentro de uma hora. Antes, encontrar um amigo. Vou beber, fumar e conversar,e essa parte será boa (sempre é). Depois de algum tempo, vamos entrar, meu amigo, a namorada dos sonhos dele, e eu. Ficarei ouvindo o bom samba, olhando as meninas, invejando os bons dançarinos e querendo ser alguém que não sou. Vou beber mais, fumar mais, tentar encontrar alguma diversão, forçar-me a dar em cima de alguém, ficar sem jeito e levar um fora que me deixará tão sem graça que passarei o resto da noite ensimesmado, sentindo-me um homem nu em rede nacional. O sentimento vai passar, vou fingir um entusiasmo para não estragar a noite (afinal, tenho que manter a aparência de  "rapaz legal que sabe se divertir"), esperar as três ou quatro, pegar meu ônibus, me masturbar um pouco, e dormi meio grogue pelo efeito do álcool. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Amanhã não farei nada, e passarei a maior parte do tempo pensando no que deveria estar fazendo.Talvez na segunda acorde bem, estude alguns pares de horas e volte a me sentir bem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tem certas coisas que parecem que nunca vão mudar!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5118335377763158672?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5118335377763158672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5118335377763158672' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5118335377763158672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5118335377763158672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/10/predicao.html' title='Predição'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Ssfrj55Pd4I/AAAAAAAAAC0/G7CeA-v-aVY/s72-c/maratassin%C3%A9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1565168407959088659</id><published>2009-09-25T22:42:00.000-07:00</published><updated>2009-09-25T23:16:54.764-07:00</updated><title type='text'>Momento Twitter Insone</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;São duas e quarenta e uma da manhã. Uma madrugada de sexta. Não tem nada de bom na TV. Saudades do Clube da Criança Junkie. Maldita insônia! Já passei da idade de lamentar essas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Sei de uma bárbara região cujos bibliotecários repudiam o vão e supersticioso costume de procurar sentido nos livros e o equiparam ao de procurá-lo nos sonhos ou nas linhas caóticas da mão. Admitem que os inventores da escrita imitaram os vinte e cinco símbolos naturais, mas afirmam que essa aplicação é causal e que os livros em si nada significam." (Jorge Luís Borges, A Biblioteca de Babel)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1565168407959088659?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1565168407959088659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1565168407959088659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1565168407959088659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1565168407959088659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/09/momento-twitter-insone.html' title='Momento Twitter Insone'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-6518803378646542697</id><published>2009-09-05T15:00:00.000-07:00</published><updated>2009-09-05T15:22:05.274-07:00</updated><title type='text'>Ego</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SqLgNbGX2CI/AAAAAAAAACs/yoUJWmk-GEI/s1600-h/I000089.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378107426251200546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 247px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SqLgNbGX2CI/AAAAAAAAACs/yoUJWmk-GEI/s320/I000089.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Caravaggio. Narciso. 1597&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;[Na varanda do segundo andar do teatro, separada dos corredores internos por uma porta de vidro, a espera do início do espetáculo]&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pelo reflexo da porta espelhada, a enxergava sem ser percebido. Lia ou escrevia algo sentada no banco de madeira. Um rapaz interessado aproximou-se e começaram a conversar. Em pouco, estavam a admirar juntos o mesmo texto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensamentos ruins me vieram, trazendo com eles uma certa amargura. Qual é o meu problema? Por que estou sempre tão sozinho? Gostaria que isso não importasse. Afinal, o que há de tão errado na solidão? O que há de errado comigo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;[Acende um cigarro. Em seguida sente um incômodo no pescoço]&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou ficando velho. Estou me sentindo velho. Não! Estou me sentindo mal. Espiritualmente, no sentido vulgar do termo. Por que me importo tanto comigo? Ninguém liga, deveria me convencer. Por que ajo como se alguém se importasse? Por que alguém deveria se importar comigo? Preciso achar a minha pergunta filosófica, aquela que eu devo sempre pensar quando me encontrar numa crise existencial. Se vale a pena viver? Certamente não é essa. Talvez dê muito valor à vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;[Encaminha-se ao banheiro, passando em frente ao casal que antes observava. Entra numa das cabines e se posta em frente ao vaso sanitário, que possui uma parede de mármore]&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esses pontos brilhantes(...) Podiam ser estrelas numa noite sem nuvens. Já vejo o plano! Seria uma belíssima cena. Mas qual o sentido? Metáfora? Sonho? Se fosse cineasta, seria daqueles criticados por dar mais valor à forma que ao conteúdo. Mas por quê deve haver um sentido? Por que uma imagem não pode ser só uma imagem? Não posso fazer pontos brilhantes de uma pedra de mármore virarem estrelas só para expor a beleza do movimento? O que faz a genialidade dos gênios? Será que alguém vai me convencer que é algo mais que a porra do acaso? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lembro da idéia que tive uma semana dessas. Simplesmente genial, embora não original (George Orwell já a teve na minha frente). Uma estória contada em um  movimento de câmera (vou dar o nome técnico de câmera subjetiva) só existe nos espaços interiores residenciais. O resto é captado por câmeras de segurança, de controle do trânsito, de empresas de transportes públicos, de elevadores! Se tem um sentido? Claro que tem! O sentido, primeiro, é a sensação cotidiana de estarmos sendo observados! É óbvio que o protagonista deve demonstrar um desconforto constante. Nada do que  fizer no espaço fora do  lar deixará de ser observado. O outro sentido? Psicológico, claro.  Só se é um sujeito, um indivíduo dotado de sentimentos, valores, vida, dentro do seu espaço doméstico. Para o resto que  capta sempre em meio a outros, o homem continua sendo mais um, só percebido se fizer algo que ultrapasse os liames da lei. Principalmente a lei defensora da propriedade – afinal, a maioria das câmeras que nos observam são de empresas privadas. Talvez um final no qual o indivíduo descobre estar sendo observado em sua própria residência. Algo como “A vida dos outros”. Genial! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, é idiota! Não tenho a estória, só a forma. É isso o que sou, só um estilo. Vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;[Passaram-se meia hora, alguém bate insistentemente na porta da cabine] &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tem sempre um filho da puta para importunar nossos pensamentos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-6518803378646542697?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/6518803378646542697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=6518803378646542697' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6518803378646542697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6518803378646542697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/09/ego.html' title='Ego'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SqLgNbGX2CI/AAAAAAAAACs/yoUJWmk-GEI/s72-c/I000089.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5646382533297370598</id><published>2009-09-03T15:32:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T15:46:57.731-07:00</updated><title type='text'>Automato</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SqBGot_vNDI/AAAAAAAAACk/rprNYkMV7zI/s1600-h/softwatchatmomentoffirstexplosion1954.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377375620436014130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 251px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SqBGot_vNDI/AAAAAAAAACk/rprNYkMV7zI/s320/softwatchatmomentoffirstexplosion1954.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Salvador Dalí. Soft watch at moment of first explosion. 1954.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O despertador tocou às cinco e meia. As pernas foram para o chão na intermitência de alguns segundos. O ar povoou os pulmões num inspirar profundo. Os olhos semicerrados marejavam. A passos lentos, o corpo levantou-se, os braços pendulando mortos. Dirigiu-se ao banheiro. À meia escuridão, os pés fincaram parando a estrutura corcunda em frente a pia. A torneira aberta jorrava grande volume e as mãos em concha pousaram sob a torrente. Um movimento espinhal fechou o àngulo perpendicular encontrando as palmas. Após a fricção completa da face, os indicadores escalaram para os cristalinos, limpando assim as secreções que a noite depositara. Uma imagem delineava-se no espelho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A luz projetando as cores da matéria me convencia: era a porra de mais um dia que começava.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5646382533297370598?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5646382533297370598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5646382533297370598' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5646382533297370598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5646382533297370598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/09/automato.html' title='Automato'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/SqBGot_vNDI/AAAAAAAAACk/rprNYkMV7zI/s72-c/softwatchatmomentoffirstexplosion1954.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-782824907514124904</id><published>2009-08-09T08:21:00.000-07:00</published><updated>2009-08-09T11:44:12.451-07:00</updated><title type='text'>Descobrimento</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Sn7pumUoV3I/AAAAAAAAACc/kVfyAmwy2sE/s1600-h/355_paisagem_colonial_urbana_12_97.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5367984792642541426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 253px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Sn7pumUoV3I/AAAAAAAAACc/kVfyAmwy2sE/s320/355_paisagem_colonial_urbana_12_97.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Di Cavalcanti. paisagem colonial urbana. c.1950) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desembarquei na Ilha de Salvador (acho que era esse o nome) com um rapaz latino que conheci no Continente. Os sobrados de cores vivas em primeiro plano logo me encantaram. Descemos umas escadas, e o rapaz – que era professor e vinha procurar materiais sobre a esquerda – ficou meio chateado com o câmbio alto do dia e a impossibilidade de converter suas notas para a moeda local. Assim que chegamos, perguntei pela violência – como se fosse comum - ao que fui respondido pela existência de tiroteios recorrentes. Em seguida, como que naturalmente após breve observação, indaguei sobre as pessoas negras, que parecia não enxergar o suficiente. Não me lembro de respostas, mas ouvir minha própria pergunta deu-me ciência de que estava numa ex-colônia escravista. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caminhávamos um pouco ilha adentro, pelo meio de uma das inúmeras íngremes ruas de paralelepípedo. Havia um razoável vai e vem de pessoas, chegando e saindo do pequeno porto. Foi quando, nesse movimento, deparei-me com umas meninas negras conhecidas de outros espaços, com as quais conversei sobre coisas corriqueiras. Neste momento, olhando para o homem que me acompanhava, o descobri amigo de longa data, e conhecido daquelas meninas. Ele era negro também. Nos pomos todos em prosa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O dia amanheceu ensolarado e saí de casa. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-782824907514124904?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/782824907514124904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=782824907514124904' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/782824907514124904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/782824907514124904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/08/descobrimento.html' title='Descobrimento'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_J_SIs_GHnLk/Sn7pumUoV3I/AAAAAAAAACc/kVfyAmwy2sE/s72-c/355_paisagem_colonial_urbana_12_97.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-8067441022786085466</id><published>2009-07-26T20:43:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T20:58:47.485-07:00</updated><title type='text'>PARANÓIA URBANA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É madrugada, e as únicas luzes acesas são as da tela do computador e a do corredor do andar, que transpassa a janelinha da porta de entrada. Chove e faz um frio ameno. Ouço os pingos caindo, o vento balançando as folhas da mangueira do terreno ao lado. Quando em vez, um barulho de fruta caindo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou sem sono. Cafés, mais a maldita sesta. Todos dormem em casa. Tento fazer os olhos pesarem  assistindo à filmes no computador. Não vou pegar em textos hoje. Amanhã acordo às oito. Ouço passos no corredor. Intermitentes, parecem se esconder. Chaves destravando a fechadura. A porta abre-se, fecha-se. Toda a madrugada é assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um som é só um som. Seria bom acreditar. Passos seriam somente passos, se não me informassem diariamente as estatísticas sobre o aumento de assaltos às residências. Portas abrindo de madrugada significariam apenas a existência de pessoas com hábitos noturnos, se acreditasse que na vida não tenho nada a perder. As folhas a caírem das arvores seriam um inofensivo movimento da natureza, se qualquer bicho não domesticado maior do que a minha unha não me deixasse terrificado. A ameaça permeia o tecido do escuro e do silêncio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa não é uma hora boa para passos e fechaduras. É contra o fluxo da vida, a ordem do mundo. Num prédio residencial à uma da manhã deve reinar o mais absoluto silêncio. Logo, sob a sugestão da solidão e da escuridão, sem às vozes costumeiras do dia, tudo é estranho, prenúncio de perigo, aviso para o medo. Onde deveria reinar a paz, ressente-se pela falta do conhecido e inofensivo, as vozes, o movimento e a luz. A cada ruído inesperado, um arrepio, um suspiro, um pulsar mais acelerado.  O stress piora a minha insônia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resisto a cama, pois se existe algo pior que essa realidade de filme de terror, são os  pesadelos que costumam me assombrar quando forço um sono inexistente. Acordar com o grito engasgado, com aquele fremido mais assustador do que o próprio pesadelo. Malditos cigarros, que me põem a dormir de boca aberta.  Ficar acordado é uma opção entre os fantasmas do sonho e os que existem em cada ruído. Escolho o segundo, o que com o tempo, acabo por aceitar bem. Nunca nada acontece, apesar de sempre parecer que vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-8067441022786085466?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/8067441022786085466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=8067441022786085466' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8067441022786085466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8067441022786085466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/07/paranoia-urbana.html' title='PARANÓIA URBANA'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-2220105008722543269</id><published>2009-06-11T15:33:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T15:36:08.179-07:00</updated><title type='text'>sem título</title><content type='html'>A ausência de um horizonte&lt;br /&gt;diferente desse estar &lt;br /&gt;me faz sem forças&lt;br /&gt;para em algo melhor pensar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de vez em quando&lt;br /&gt;aparece um incômodo,&lt;br /&gt;quando percebo&lt;br /&gt;a inércia do desejo&lt;br /&gt;de querer outro lugar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-2220105008722543269?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/2220105008722543269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=2220105008722543269' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2220105008722543269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2220105008722543269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/06/sem-titulo.html' title='sem título'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-4503742239670084611</id><published>2009-05-06T05:07:00.001-07:00</published><updated>2009-05-09T05:04:05.462-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='presente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='passado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futuro'/><title type='text'>Emancipação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era como se não houvesse o que esperar, e a passagem do tempo deixasse de ser um fardo, uma dor. Era como se cada momento vivido fosse o melhor até aquele instante. E era eu, tão somente, o responsável por aquela mudança. Não me perguntem como consegui alienar dos sentimentos a dor, a ansiedade, a angústia. Sinceramente não sei. De um instante para outro, adquiri o poder de encontrar o êxtase em cada nuance do presente imediato, e tudo além  deixava de importar. O mais impressionante é que, na minha caixa de lembranças, estava tudo lá. O desejo pelas mulheres, pelo conhecimento, as imagens de paisagens bonitas que conheci e que gostaria de conhecer, as reminiscências palatativas, o gosto do chocolate, o prazer de fumar depois do almoço num dia frio. Não obstante, deixava de ser urgente, não mais ansiava desesperadamente. Era como se o dispositivo de acionamento da vontade tivesse sido tirado do automático, e o da admiração, contemplação, trabalhasse em sua mais alta potência. Este despertar me deixou perplexo. Estava realmente disposto a explorar este novo homem que nasceu naquela manhã de março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia pressa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-4503742239670084611?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/4503742239670084611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=4503742239670084611' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/4503742239670084611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/4503742239670084611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/05/emancipacao.html' title='Emancipação'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-3065901603787420057</id><published>2009-05-05T15:35:00.000-07:00</published><updated>2009-05-05T15:37:46.475-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='responsabilidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prisão'/><title type='text'>Desconstrução</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um homem beirando os sessenta, que passa dois terços de sua semana recostado numa ampla barriga, assistindo televisão e dormindo. Um homem sem amigos, que só se move num pequeno raio de distância, cujo maior prazer consiste em beber cerveja no bar mais próximo, quase solitário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eis a triste visão que tenho de meu pai. Talvez um olhar mais distante possa afirmar “Está aí um homem que não precisa de muito para viver”. Aceitar esta verdade certamente me faria uma pessoa mais feliz, se todo o dia não tivesse que topar com aquela coisa decadente, cabisbaixa, com medo do mundo e desconfiada de todos. Como poderia admirar essa figura masculina que faz da submissão da mulher sua fonte de subsistência, que se esconde dos desafios do mundo num código moral fácil, fundado em bem e mal, sucesso e fracasso, vencedores e perdedores? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre foi assim. Dos vinte e cinco anos em que hoje me encontro, a maior parte foi de respeito e admiração imponderável por aquela figura. Era o lugar de autoridade, sempre incontestável. Era tão fácil... Mas a vida, embora totalmente sem sentido em si, me reservou desígnios distintos, levando-me ao conflito com aquele mundo de verdades quase matemáticas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nunca  como nos últimos anos pensei tanto em meu pai. Pensamentos questionadores, que peca em vilipendiar aquela memória sacra que guardo em meu coração. Se antes sua potência imputava-me temor, a razão do medo agora encontra-se exatamente em sua antítese. O tamanho do meu poder ante o ídolo desconstruído, frágil, faz-me temer pela piedade. Porque apesar de tudo, o amor de um filho pelo seu pai é incondicional. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por que é tão difícil sair dessa adolescência? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-3065901603787420057?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/3065901603787420057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=3065901603787420057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3065901603787420057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3065901603787420057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/05/desconstrucao.html' title='Desconstrução'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-513471998953515284</id><published>2009-04-30T21:48:00.000-07:00</published><updated>2009-04-30T22:27:13.924-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='embriaguez'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>ILUSÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Imagino que por volta das três. Meia dúzia de homens bêbados vagando pelas desertas ruas de Niterói. Existe um destino, Oásis, nome sugestivo à circunstância. Um conhecido afiançara o nome para a entrada gratuita. De nada adiantou. Rateando por todos, garantimos uma cortesia. Cinqüenta contos e quinze latas de cerveja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A casa está cheia. Luzes piscando, funk alto. Dor de cabeça e azia. Umas dez mulheres de lingerie tentam garantir a noite. Jackson está chato, me enchendo com um discurso hipócrita sobre a humanidade das putas e seus sentimentos. Afirmo-lhe a razão, mas pouco importa. Não é o momento, muito menos o lugar para reflexões profundas sobre a condição humana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou enfastiado. Sentado no palco, olho para bundas e peitos nus, morrendo de tesão e sem um puto para saciá-lo. Bendita decisão de deixar o VISA em casa, penso com meus botões. Me sinto solitário. O ambiente tira a vontade de qualquer conversa. Era o que imaginava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saindo dos fundos do salão, uma morena alta, robusta , com um belo rosto, encosta-se numa parede próxima. A timidez me impede de dar-lhe atenção. Sinto um toque leve no lóbulo da orelha. Volto-lhe com um olhar gentil e um sorriso sem jeito. Novamente o mesmo gesto. Tomo coragem e puxo-lhe pela mão. Se chama Rossana, e me acha uma gracinha. Forjo uma risada irônica, dizendo-lhe que aquele elogio já valera pelo dia. Tapando a face com as mãos, a moça finge um enrubescimento, não sei se realmente existente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Papeamos de forma amorosa. Digo-lhe palavras bonitas, elogiando a beleza de seus grandes olhos claros e brinco afirmando que, se pudesse, apresentaria-lhe à minha mãe. Demonstrando carinho, Rossana aconchega sua cabeça em meu peito, e sobrepõe suas pernas às minhas. Envolvo meus braços em suas costas, e ponho-me a acariciar seus cabelos. Com a outra mão livre, aliso a sua delicadamente. Sinto vontade de beijá-la. Sacando meu frouxo estilo, começa me prometendo namoro; depois beijos apaixonados; depois um boquete; depois o Céu. Digo que adoraria tudo, namorar e beijá-la, até o fim dos dias, mas que naquela noite seria impossível. Prometo-lhe um futuro próximo em que tudo se realizaria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sustenta-se um silêncio por alguns minutos, nos quais observamos a dança sexual das outras moças. Tento puxar novamente uma conversa, mas em vão. Diz que vai se maquiar, e elegantemente se dirige ao banheiro imundo. Não mais volta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No decorrer da madrugada, cruzara com ela algumas vezes pela boate, sempre acompanhada de outros. Sabedor da impossibilidade de proporcionar a verdadeira satisfação aquela moça, não me sinto triste. Penso por alguns momentos na possibilidade de cumprir aquela promessa. Possivelmente, não fará a menor diferença para ela, que assim como brutos, deve conviver usualmente com tipos ingênuos como eu. Aproveito contente até a alvorada, saciado da ilusão de ter e ser amado, mesmo que por alguns míseros minutos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-513471998953515284?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/513471998953515284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=513471998953515284' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/513471998953515284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/513471998953515284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/04/ilusao.html' title='ILUSÃO'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-6812090115362332829</id><published>2009-04-05T08:46:00.000-07:00</published><updated>2009-04-05T13:32:05.178-07:00</updated><title type='text'>Lábios</title><content type='html'>Puxando-lhe o pescoço, toquei seus lábios&lt;br /&gt;nunca provei suspiros tão doces.&lt;br /&gt;Segurando-lhe as coxas, encontrei seus lábios&lt;br /&gt;os agudos penetraram-me a espinha.&lt;br /&gt;Havia descoberto a vocação dos meus lábios&lt;br /&gt;Porém quando deixastes meus lábios solitários&lt;br /&gt;eles só haviam de machucar&lt;br /&gt;Por isso você foi embora, levando os seus lábios.&lt;br /&gt;Peguei uma faca e então arranquei os meus,&lt;br /&gt;pois neles só ficaram o que de pior há em mim,&lt;br /&gt;O adeus dos seus lábios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-6812090115362332829?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/6812090115362332829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=6812090115362332829' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6812090115362332829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/6812090115362332829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/04/labios.html' title='Lábios'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5158627667231469925</id><published>2009-03-28T06:47:00.000-07:00</published><updated>2009-05-01T12:47:07.699-07:00</updated><title type='text'>NOIR (PARTE 1)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A música dava uma boa atmosfera  ao lugar. Na junkebox, Jamelão cantava Lupcínio Rodrigues,tristes letras de amores perdidos. No antro chamado Vila Mimosa, aquele era o único lugar realmente decente e agradável. Tinha sim cheiro de perfume barato, mas infinitamente mais suportável perto do odor sufocante de latrina que permeava os becos do mais famoso baixo meretrício do Rio de Janeiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aquele pequeno cabaret não era mais luxuoso que os outros, mas era para mim como um segundo lar. Josefina no balcão não deixava que a minha tranquilidade fosse pertubada. Totalmente descomposturado, bebia a minha quinta garrafa de Brahma. No cinzeiro, dezenas de guimbas de Hollywood vermelho confirmavam o meu desejo de morrer antes da próxima década. Eram três horas e quinze minutos. Alguns velhos senhores também refastelavam na casa o fim de mais uma semana ordinária , viajando no anestésico dado pela cachaça. Era o único menor de 30 no estabelecimento, e me sentia de certa forma honrado por aquelas companhias e pelo status conseguido no recinto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Madeleine, a puta mais nova do lugar, aprochegou-se:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Oi gostoso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Respondi com um aceno de cabeça mal humorado, sem dirigir-lhe o olhar:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- E aí, meu bem, pronto para um sexo gostoso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Josefina percebeu que a importuna me desgostava:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Madeleine, venha cá! Leve a bebida do Fogaça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que gostava de mulheres, e admirava intensamente aquelas que me cercavam naquele momento. As manchas em suas peles denunciavam que aquela vida não era nada fácil, ao contrário do que enunciava um dos inúmeros sinônimos para a profissão mais antiga do mundo. Submetiam-se aos mais ignóbeis e nojentos meliantes da face da Terra, e não havia escolha, aquele era o ganha-pão das moças. Exatamente esse respeito que me impedia de manter qualquer contato sexual com elas. Gostava de beber, ouvir as músicas do tempo de meu avô, sentir aquela tristeza degradante que me aquietava o espírito após o ritmo alucinante deuma semana de trabalho, e depois deixar sempre um dinheiro a mais pela noite sem maiores inquietações. Com a conduta aprovada, nunca pude reclamar de muita coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Josefina devia estar pelos seus cinquenta e cinco anos. Quando jovem, deve ter sido uma bela rapariga. Tinha nariz e lábios finos à européia, e olhos capazes de enfeitiçar o próprio feiticeiro. Desde que abriu sua própria casa, abandonara a vida. Passara uma infância difícil em Nova Iguaçú, alvo das garras de um pai violento e um irmão molestador. Antes dos 15, já abortara duas vezes, ambas do irmão. Seu pai a arrebentou de pancada em ambas, debaixo de "vacas" e "putas". Se tornou uma não pela sugestão, mas porque não era sequer alfabetizada e aquele foi o único modo que achou de sobreviver. Os homens que aguentou durante toda a vida eram o paraíso perto do que acumulara de seu pai e irmão. Porém, mesmo debaixo de tamanha amargura, sobrara-lhe o gosto pelo vasto repertório musical dos anos 40 e 50, que ouvia da vitrola do seu pai sempre após apanhar. Tenho a impressão de que aqueles cantos de lamúria deram, de alguma forma, vazão a toda sua dor e sofrimento, contando estórias de homens que sofriam por mulheres. O que Freud diria de uma mulher que, mesmo tão oprimida pelo oposto sexo, encontraria consolo em vozes tão viris como as de Nelson Gonçalves e Orlando Silva?! Foda-se! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Próximo às seis, meia caixa e dois maços depois, saí enxergando mais do que devia, meio cambaleante, mas ainda pleno para caminhar até minha casa. Durante o caminho, dois vômitos voluntários, aprendizado de anos nessa vida. Às custas, cheguei ao meu "apartamento" na Barão de Iguatemi. Acordaria na tarde seguinte com a cama suja do estorno etílico e uma baita dor de cabeça. Há algum tempo atrás, ficaria moralmente abalado, pensaria em sair dessa, ficar saudável e levar uma vida digna. Com o tempo, acabei percebendo que o que chamam "dignidade" é somente mais uma forma de controle social, e achei nesse pensamento a verdade necessária para legitimar minha decadência . Infelizmente, não causava ameaça alguma ao sistema. Pelo menos era o que pensava.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5158627667231469925?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5158627667231469925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5158627667231469925' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5158627667231469925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5158627667231469925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/03/noir-parte-1.html' title='NOIR (PARTE 1)'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-9158302979210578135</id><published>2009-03-15T16:18:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T16:25:53.469-07:00</updated><title type='text'>Esboço</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;(Numa sala iluminada pelo sol da manhã, emerge da escuridão um jovem cabisbaixo, de olhar tristonho e com os braços recolhidos junto ao corpo. Sem encarar diretamente a platéia, o rapaz começa a falar.)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando, alguns pensamentos me invadem, me corroendo por dentro. São sentidos fisicamente,como se algo estivesse devorando-me o peito. Sinto vontade de extirpar essa chaga que me impede o bem-estar. O sol brilha lá fora, e seus raios adentram a janela. Repugno a vida imersa na claridade invasora, quero ter amigos, estar e gostar de praia, ter o que fazer, algo com o que ocupar a cabeça. O máximo que consigo é acender um cigarro. &lt;strong&gt;(Tira do bolso um maço e acende um cigarro)&lt;/strong&gt; Minha dor e a minha juventude se esvaem a cada tragada, entorpecendo meu cérebro, roubando-me o fôlego. O ponteiro menor do relógio encontra-se quase estabelecido no onze.As horas não passam, mas mesmo assim o tempo é cruelmente rápido. Deus! Vinte e cinco anos. A vitalidade se esgota entre baforadas e lamentações, e nada realizei ainda! Faltam-me palavras para articular a vida. Tantos pensamentos que não encontram expressão na língua nativa. Deveria ter nascido em outro país. Quanta estupidez!! Será que é muito cedo para recomeçar tudo de novo? Tudo vale a pena quando a alma não é pequena, dizia o poeta. Será que a minha alma, cheia de medos e recalques, presa nos horizontes sociais de sucesso e fracasso, é pequena? O que vale a pena? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;(Uma claridade mais intensa impele o rapaz novamente para a escuridão, dando as costas para a platéia e saindo de cena.)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-9158302979210578135?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/9158302979210578135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=9158302979210578135' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/9158302979210578135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/9158302979210578135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/03/esboco.html' title='Esboço'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-7190345877776351896</id><published>2009-01-26T13:59:00.000-08:00</published><updated>2009-01-27T16:51:23.270-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nostalgia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>Estórias para adultos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;(Os personagens dessa estória são meramente ficcionais, e qualquer possível semelhança trata-se de uma mera e infeliz coincidência)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Durante minha infância, o mundo se movia de forma distinta. Parecia que todos eram aquilo mesmo que aparentavam e que não havia nada a mais. Quando aparecia algo que perturbava esse equilíbrio, como uma morte, era um choque, algo que punha em xeque o que estava em harmonia. Mas logo o jogo de videogame, um gostoso sorvete ou o episodio inédito dos Cavaleiros do Zodíaco trazia de novo as coisas para o seu devido lugar. E tudo era novamente uma brincadeira, para não ser compreendido e levado a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, muitas coisas ficaram mal-resolvidas em minha vida. Postas no campo do proibido, do intocado, do que era o mal. Não posso negar que também sempre me faltou coragem para querer realmente superar essas barreiras. Fui criado tendo na escola, nos esportes que praticava nos clubes perto de casa, na pracinha onde brincava nas manhãs de domingo, os únicos lugares permitidos para fazer amigos, e mesmo assim sobre o olhar atento de ¨responsáveis¨. Ficava a maioria do tempo entre as quatro paredes do meu apartamento, driblando com a bola de futebol os móveis de casa, jogando o meu Dynavision, assistindo a filmes de Sessão da Tarde e seriados de tv. É incrível o que essas tecnologias e mídias podem fazer com as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que fosse possível para evitar o constrangimento, o conflito, o mal-estar, a dor. Essa foi a fórmula que, inconscientemente, aprendi em casa e levei para a vida. Cresci assim. Sempre fui um moleque inteligente, que aprendia rápido as coisas na escola e passava de ano sem recuperação, mas que no resto, e verdadeiramente importante, era um desastre. Tinha medo, de me declarar para uma menina, de enfrentar os meus pais, de fazer as coisas erradas (e provar se elas eram mesmo erradas). Nunca matei aula para fumar, tomar vinho ou ir aos jogos do Vasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as minhas covardias, as maiores foram àquelas relacionadas à expressão de sentimentos. Quando era criança, beijava os meus pais, meus avós, meus padrinhos, mas sempre foram beijos de formalidade. O afeto sempre me foi alheio e não aprendi a expressá-lo direito. Quantas meninas não deixei passar por vergonha de mostrar-lhes o que sentia?! E sobressaí hoje essa aparência da pessoa fria, meio sem jeito, meio mongol, sem iniciativa, exatamente porque nunca me arrisquei, nunca me lancei sem medo em nada. Ainda tenho vergonha de beijar o meu pai, e não consigo chama-lo para uma cerveja pois existe algo dentro de mim que me embaraça em assumir o hábito de beber. Eu tenho vinte e quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, a infância não me guarda somente coisas tristes, ou explicações originárias para as minhas atuais frustrações. Se existem coisas que, mesmo depois que crescemos, permanecem num lugar intocado, outras acabam se desmistificando. Sabe, quando fui ficando mais velho, a minha família começou a ficar chata. Não havia nada de interessante, somente estórias de casais perfeitos, de filhos bem criados. Aos poucos, porém, os "podres" começaram a aparecer, e pude perceber que a minha família era bem mais interessante do que eu imaginava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A nostalgia é o passado que se faz presente e determina nosso futuro.&lt;/em&gt; (Alfredo Bryce Echenique)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morei durante dez anos da minha vida no apartamento oito-zero-quatro do número três-sete-meia da rua Hadock Lobo. No quinto andar, morava a irmã da minha avó, a tia Arlete, a quem chamava de Dinha (apesar de não ser a minha madrinha de fato). Junto com ela, morava o meu padrinho (de verdade), a quem todos sempre chamavam de Quinha (e só mais tarde me dei conta de que não era esse o seu nome), e o esposo dela, o tio Hélio. Apesar de serem todos velhos, o apartamento da Tia Arlete foi o lugar no qual mais me diverti durante a minha infância. Quase todo o dia, à noite, descia lá com a minha avó, e ficávamos todos na sala, enquanto as novelas da noite passavam na TV. Sentado na cadeira de balanço, conversava em altos brados com o meu padrinho, ouvindo atenciosamente suas estórias de bravura em Sumidouro- cidadezinha próxima à Nova Friburgo, onde crescera- e de sua breve passagem pela Aeronáutica. Eram estórias de brigas - por mulheres e por orgulho - de caçar animais e passarinhos com armadilhas e espingardas de ar comprimido, de grandes pescarias no Paraíba do Sul, de pegar peixes do tamanho de canoas e enfrentar a nado as correntezas do bravo rio. Sempre prometia me levar à Sumidouro para vivermos grandes aventuras, e sempre sonhei com esse dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ele nunca chegou. Quando tinha oito, ou nove anos, Tia Arlete morreu. Poucos meses depois, Tio Hélio e Quinha se mudaram para um apartamento no mesmo bairro, mas longe o suficiente para uma criança superprotegida ir visitar. Mais ou menos um ano depois, também mudamos, só que para São Cristovão. Durante algum tempo, Quinha ainda ia me pegar para nossas tradicionais pescarias no Aterro do Flamengo (às quais adorava, apesar de não pegar mais do que um peixe e ficar dias com a pele queimando por causa do Sol), mas essas saídas ficaram cada vez mais escassas. Os anos se passaram, e também aquela idolatria de criança. Por causa do problema de alcoolismo de Tio Hélio, o filho foi obrigado a mandá-lo para um asilo. Sem ter onde ficar, Quinha voltou para a sua terra natal. Depois de um certo tempo, ele passara a apenas mais um parente com quem às vezes falava no telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco anos depois, saímos de São Cristóvão e voltamos a morar na Tijuca. Num dia desses, sem nada de especial, veio a notícia, com a mesma banalidade do dia. O filho do Tio Hélio ligou para nossa casa, e informara, no meio de outras notícias, que o meu padrinho havia morrido, não naquele dia, mas há meses atrás. Minha avó me deu a notícia, a qual reagi com indiferença, pois aquela morte era de alguém que há muito havia se desligado da minha vida, que não era mais importante. Mas hoje, bons anos depois, nessa exata madrugada do dia vinte e cinco de janeiro de dois mil e nove, posso afirmar uma ponta de revolta, com a aparência de hipocrisia, mas profundamente nostálgica. Aquele homem fora o herói da minha infância, o avô que não tive, quem me forneceu a matéria-prima para imaginar algo além da minha realidade alienada, e ele morreu assim, num dia qualquer, num leito anônimo de hospital público, sem lágrimas, sem ninguém para lhe dar o aconchego do último momento. E a mim foi privado sentir essa morte, tanto pelas circunstâncias físicas que me afastavam daquele lugar e daquele homem; quanto pelas circunstâncias fornecidas pela vida, que afastavam todo o meu afeto. Alguns caminhos tomados pela vida são realmente injustos e tristes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o apartamento da tia Arlete fora um lugar de muitas alegrias durante a minha infância, ele também escondia segredos inconfessáveis para uma criança. Essas estórias só me foram contadas muito tempo depois, e dosadamente, à medida que ouvia algo escapar furtivamente e perguntava sobre o assunto. Já na idade certa de saber as “coisas sujas”, o esmero familiar  em omitir certas informações havia desaparecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui de indagar as razões de Tia Arlete, Quinha e Tio Hélio residirem juntos. Afinal, Quinha era meu padrinho, logo parente, então era como se o lugar dele não precisasse de justificativas. Tudo era tratado com tanta naturalidade, que realmente parecia que não havia nada de errado, ou imoral, naquela relação. Mas a vida é bem mais complicada e interessante do que um mero quadro de relações de parentesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tentar reconstituir os fatos através dos detalhes esparsos guardados pela minha memória, recolhidos dos diversos relatos  de minha avó,  meu pai e  minha mãe. Não sei ao certo datar quando essa estória começa, mas creio que seja por volta de  meados dos anos 1950. O irmão da minha avó, o falecido tio Ricardo, conhecera aqui no Rio de Janeiro uma mulher chamada Zezé, apaixonou-se e casou-se com ela. Zezé tinha também uma estória enrolada, era dada a trambiques e gostava muito de homens, mas o que nos importa agora é saber que a sua família era de Sumidouro. Assim, para os parentes do Tio Ricardo, a cidadezinha interiorana passou a ser um lugar para visitar, não sei se somente a passeio, a trabalho ou para férias prolongadas. Um fato curioso dessa ligação com Sumidouro é que a maior parte das mulheres ligadas à família de minha avó começou a recrutar, entre a população muito pobre e iletrada sumidorense, pessoas para trabalhar como empregados domésticos. Posso dizer, pelo menos do que já ouvi, que era algo quase como trabalho escravo, e à época que tomei conhecimento dessas coisas, fiquei bastante revoltado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechando os parênteses, Tia Arlete e a minha avó – ambas casadas – também começaram a visitar Sumidouro. Meu avô, em seu trabalho de costureiro, ganhara muito dinheiro por lá, na venda de roupas confeccionadas por ele. Sobre a Tia Arlete, não sei de que maneira isso ocorreu, também não tenho provas suficientes para provar o que aqui escrevo, mas dizem as más (ou verdadeiras) línguas, que se apaixonara por um jovem rapaz, de nome José Soares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram para o Rio de Janeiro, e o mancebo sumidorense veio junto. De acordo com estórias de infância de meu pai, posso presumir que José Soares já morava naquela época, décadas de 1960 e 1970, com a Tia Arlete e Tio Hélio. Trabalhara em fábricas e no aeroporto do Galeão, e em muito desses empregos, Tio Hélio e Quinha foram companheiros. Era engraçado, pois quando criança, ouvia muitas estórias de compadrio entre ambos, com um certo ar nostálgico, de boas pescarias e ¨causos¨. Mas outras, ouvidas posteriormente, narravam a rotina de um triângulo amoroso formal, marido, mulher e amante, vivendo sob o mesmo teto, onde o amante tinha o melhor prato de comida e outras preferências. Essa situação era flagrante na própria compleição física e no comportamento de ambos. Tio Hélio, desde que me entendo por gente, sempre foi franzino, curvado, fumava feito um condenado e bebia mais ainda. Já Quinha sempre teve um belo porte, mesmo depois de velho, era bem disposto, gostava de exercícios físicos, não tinha vícios e estava a toda hora fazendo alguma coisa. Um era encolhido e tímido. O outro, exaltado e brincalhão. O marido humilhado e o garanhão, respectivamente aparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficara sabendo somente de uma confusão em todo o tempo de três-sete-meia, no qual a minha madrinha de verdade, irmã de meu pai, brigara com a Tia Arlete, e a chamara, para todo o prédio ouvir, de “Dona Flor e seus dois maridos”. Não saberia dimensionar a repercussão desse caso, e talvez por ter sido uma criança muito tapada e presa, não percebesse os murmurinhos em volta. Mesmo dentro da minha família, extremamente conservadora, nunca ouvi um único comentário sobre a tal imoralidade do quinto andar. Pelo contrário, Quinha sempre foi um homem muito respeitado e querido em nossa casa, tanto que sempre existiu uma confiança em meus pais de deixar-me ir com ele aonde quisesse. E apesar das considerações que fiz anteriormente, sobre posturas estereotipadas, o clima na casa deles também fora sempre de  muita leveza,  de um grande cuidado e fraternidade entre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a Tia Arlete morreu, Tio Hélio e Quinha continuaram a morar juntos, e assim conviveram por uns bons oito anos, sem peso, somente as costumeiras discussões de casal. Uma relação não convencional que durou uma vida. E eu, que sempre achei que o Tio Hélio fosse morrer antes do Quinha, me enganei. Tio Hélio continua vivo, embora não muito lúcido, numa casa de repouso na rua Santa Alexandrina. Fazia visitas ocasionais, nos fins de semana, que foram diminuindo gradualmente. O único não-judeu do lugar. Uma solidão imerecida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-7190345877776351896?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/7190345877776351896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=7190345877776351896' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7190345877776351896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/7190345877776351896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/01/estrias-para-adultos.html' title='Estórias para adultos'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-4965366742907383313</id><published>2009-01-20T13:58:00.000-08:00</published><updated>2009-01-21T05:00:01.203-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lembranças'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nostalgia'/><title type='text'>Primeira Infância</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje é feriado de São Sebastião aqui no Rio de Janeiro. Esse dia me trás a cabeça algumas estórias de minha primeira infância, contadas e recontadas em  casa durante toda a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta poderia ser uma estória de negligência médica terminada em mais uma morte inocente. Se entendi bem, assim que nasci, os médicos esqueceram de retirar-me o líquido amniótico, ou placenta, que geralmente fica dentro dos bebês após o parto. Como todos aqueles que curtem o primeiro filho homem, meu pai olhava-me no berçário, e então percebeu que havia algo de errado. A minha cor estava mudando, a pele ficando roxa e a respiração fraca. Desesperado, gritou pelas enfermeiras. Mais alguns minutos, teria morrido sufocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alojando-se nos pulmões, o líquido fez-me desenvolver um quadro de pneumonia. Com a saúde precária de um recém-nascido, havia risco de morte. Por essa ocasião, meu avô fez uma promessa a São Sebastião, prometendo, em troca da preservação do seu neto, levar-me todo o ano a Igreja dos Capuchinhos, no feriado do santo, vestido inteiramente de vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se por causa da promessa, mas hoje estou aqui para contar esta estória. Meu avô morreu pouco mais de um ano após o meu nascimento. Não teve a oportunidade de viver para cumprir a sua promessa, mas lembro-me vagamente, em  reminiscências, de ser levado a Igreja em um certo dia do ano, de muito calor, vestido com um blusão vermelho de botões. Não me recordo direito quem me levava, mas possivelmente era a minha tia-avó, que cresci chamando de madrinha (apesar de não ser, e talvez aí encontre-se a razão de assim chamá-la) e esse ritual deve ter sido cumprido até os meus cinco ou seis anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra das estórias de primeira infância diz respeito ao leite que me nutriu. Por motivos que até hoje desconheço, o leite da minha mãe secou. Durante meses, fui indiretamente amamentado pelo leite de outras mulheres, destinado a outros filhos e filhas, conseguido pelo esforço de um tal Seu Flávio. Ouvi sempre, com um doce tom de gratidão, que ele botava o morro do Turano abaixo atrás de leite para mim. Esse generoso homem era nosso vizinho quando morávamos no 376 da Hadock Lobo, mas  cujo rosto não me recordo, pois cedo se separou da mulher e foi embora de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessas mulheres, somente duas entraram na minha vida de alguma forma. Uma, porteira de um prédio na Hadock Lobo, negra, pobre, moradora do morro do Turano, fumante. Sempre passo por ela, sabendo quem é, mas indiferente, como se fosse uma pessoa qualquer. A outra, de nome Sueli, também muito pobre, também moradora do morro, também negra, também fumante, tem uma penca de filhos e viveu metida com bandidos. Trabalha como faxineira nas casas da classe média tijucana, e visita eventualmente a minha residência. Sua figura não me agrada, é arrogante e tem um jeito grosseiro de se expressar, além de estar sempre interessada em dinheiro ou algo a ser dado, o que gasta com cervejas em alguma birosca de favela. A essas mulheres, devo o meu primeiro alimento. Qualquer outra possível relação é uma mera questão de fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci no dia treze de maio, num domingo de dias das mães, de Nossa Senhora de Fátima, da Abolição da Escravidão, e principalmente, dos &lt;em&gt;preto-velho&lt;/em&gt;. Todo o ano, vovó põe um copo do primeiro café desse dia na janela, que lá fica até o primeiro café do dia seguinte ser feito. É uma crendice que me causa uma grande simpatia, e se não produz efeito algum, mal também não pode fazer. É o nosso cristianismo de superfície, como lamentaria Sérgio Buarque de Holanda e celebraria Gilberto Freyre, que se nos impediu de desenvolver uma fé interior, uma &lt;em&gt;aescese&lt;/em&gt; na própria vida, nos guardou esse paganismo bonito, de relações pessoais e quase afetiva com os santos. Mas essa é outra discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha primeira infância, meu pai foi herói, meu avô mártir, bebi do leite de negras e fui salvo por milagre. Uma típica mitologia brasileira. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-4965366742907383313?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/4965366742907383313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=4965366742907383313' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/4965366742907383313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/4965366742907383313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/01/primeira-infncia.html' title='Primeira Infância'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1441774413517045546</id><published>2009-01-19T16:23:00.000-08:00</published><updated>2009-01-19T16:27:19.076-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vazio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solidão'/><title type='text'>Sem título</title><content type='html'>Não quero rosas nem utensílios domésticos&lt;br /&gt;só quero a flor que brota do seu corpo&lt;br /&gt;e com o que você chama de amor&lt;br /&gt;vem me oferecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1441774413517045546?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1441774413517045546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1441774413517045546' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1441774413517045546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1441774413517045546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/01/sem-ttulo.html' title='Sem título'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-3277663691430073159</id><published>2009-01-18T12:26:00.000-08:00</published><updated>2009-01-18T12:56:14.100-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dentes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='radiografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='narrativa'/><title type='text'>Radiografia Panorâmica da Face</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;¨Mulheres grávidas ou com suspeitas de gravidez: Favor informar ao profissional antes do exame.¨ Portaria 453/98 (M.S)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sala da clínica radiológica é minúscula. Tapumes demarcam o espaço físico do lugar, dividindo a sala de espera  da de exames e da recepcionista. A sala de espera possui quatro cadeiras com aparência de novo, um estofado plastificado, estampado com figuras parecidas a hieroglífos. O chão é de azulejos quadrangulares, com uma cor parecida com bege. As paredes são brancas e um grande vaso de plantas ornamentais decora o lugar, alocada num canto. Ao lado dos assentos, revistas estão cuidadosamente organizadas em pastas abertas de material transparente. A televisão está sintonizada num programa de variedades matinal, daqueles assistidos por donas de casa. Sobre uma bancada acoplada à parede , um filtro de água moderno, com opções de água gelada e natural. Embaixo da prateleira, um recipiente de lixo, para o depósito dos copos de plástico utilizados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A recepcionista, apertada num minúsculo espaço, senta-se ao lado de prateleiras cheias de pastas etiquetadas - com o nome de planos odontológicos impressos- e materiais de escritório. A moça sentada é uma loira oxigenada, razoavelmente acima do peso, com grandes argolas prateadas penduradas nas orelhas. Sua aparência é austera, sem sorrisos, com a formalidade necessária ao seu ofício, mas sem a simpatia de quem aparenta gostar do que faz. Ser secretária de uma clínica de radiologia oral certamente não é um projeto de vida muito agradável de se cultivar.  Também, segunda-feira, nove e pouco da manhã, o início de uma longa e tediosa semana de trabalho....Não deve ser fácil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O exame é exótico. Aloca-se o queixo e a testa numa determinada posição, a coluna mantém-se ereta. Posiciona-se os dentes frontais de maneira que fiquem aparentes, mordendo-se um pequeno pedaço de isopor e segurando a língua no céu da boca. A radiologista, uma simpática morena de altura mediana, orienta o posicionamento correto, manipulando com as mãos minha cabeça e corpo. Seus seios encostam de leve no meu braço esquerdo. Um espelho a frente da face me faz enxergar a imagem grotesca de minha boca, contorcida, como que amordaçado. Hannibal Lecter em Silêncio dos Inocentes. Um módulo circula o crânio, fotografando a arcada. Não há dor. Cinco minutos depois, o carbono fica pronto. A radiografia está bem clara, o serviço fora bem executado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há câncer, por enquanto. Os sisos inferiores estão completamente deitados. A cirurgia será complicada. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-3277663691430073159?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/3277663691430073159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=3277663691430073159' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3277663691430073159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3277663691430073159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2009/01/radiografia-panormica-da-face.html' title='Radiografia Panorâmica da Face'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5717733482165635148</id><published>2008-12-21T14:25:00.000-08:00</published><updated>2008-12-21T14:27:38.368-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='assalto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cadáver'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>O cadáver</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;¨Tem um homem morto lá embaixo.¨&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vejo defuntos todo o dia na tv. Sou fã de filmes de ação, onde a morte, em suas mil modalidades, é o atrativo principal. Pela manhã, o tablóide popular trás sempre alguns falecimentos- chefes do tráfico, policiais, crianças, idosos, pessoas famosas- cuja ¨causa mortis¨ são de todas as naturezas possíveis -assassinatos encomendados, roubo seguido de morte, bala perdida, negligência médica, descaso público. Nos noticiários televisivos, tais fatos são repetidos, decerto numa exposição mais dramática, que a letra escrita da imprensa não é capaz de expor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A notícia recebida na descida da rua gelou-me a espinha. A possibilidade de defrontar-me com um cadáver exposto nas vias públicas não é corriqueira como apontam as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública. Moro perto do morro, mas  esse é um fato para grande parte dos moradores do Rio de Janeiro. É asfalto ainda, o Estado está presente não somente pela presença de sua força policial. Escuto tiroteios com uma rotina maior do que gostaria, fruto da ação dos protetores da vida dos cidadãos pagadores de impostos, em suas incursões nas ¨comunidades¨, um conceito moderno para expressar o espaço destinado aqueles excluídos das benesses do poder público e do capital.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fim da ladeira, dobro à esquerda. Gente amontoada um pouco adiante, cercando uma viatura policial. Passo cautelosamente, o coração um pouco acelerado, os olhos vidrados na cena, e as pernas assustadas, querendo seguir o caminho pré-estabelecido. Sou acometido pela minha natureza curiosa de espécie humana. O fim público de uma vida é evento concorrido, e a necessidade de saber sobre o fato torna-se um imperativo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há um corpo estirado, envolto num saco preto. Vê-se somente o tênis Adidas soçaite e a bainha da calça jeans escura. As versões da morte circulam, sem necessidade de interrogações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;¨Foi morte encomendada, o rapaz era guardador de carros aqui em frente.¨&lt;br /&gt;¨Vieram perseguindo a pé desde a Saens Pena, assaltaram um banco por lá.¨&lt;br /&gt;¨O bandido matou, o homem reagiu.¨&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A verdade, naquele instante, não importava. A circulação de informações sobre aquela estória não valia pelo grau de reflexão embutido, mas era gerada pela mera contigência de dizer algo, de comentar  o esplendoroso acontecimento. Não fiquei até chegarem os carros de reportagem. Fui ao mercado e voltei, pelo mesmo caminho, e o corpo continuava lá, com o círculo de pessoas a admirarem e comentar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde em casa, soube que deu no telejornal. Houve tiroteio e pânico na Hadock Lobo. Dois homens, que praticavam o assalto conhecido como ¨saidinha de banco¨, foram flagrados por dois policiais que passavam . Tentaram fugir em sua moto, mas foram perseguidos. Um deles escapou, fazendo uma manobra milagrosa, na qual passara do veículo de duas rodas para um taxi que esperava o sinal abrir. O outro, mais jovem, acabou ali, dentro do saco preto, furado pelas balas da lei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seu nome era Walter Reis, 16 anos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5717733482165635148?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5717733482165635148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5717733482165635148' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5717733482165635148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5717733482165635148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/12/o-cadver.html' title='O cadáver'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-298539616122786799</id><published>2008-12-15T08:28:00.000-08:00</published><updated>2009-08-10T18:34:28.437-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-298539616122786799?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/298539616122786799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=298539616122786799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/298539616122786799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/298539616122786799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/12/apresentao.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1077097914810404731</id><published>2008-12-06T01:09:00.000-08:00</published><updated>2008-12-06T01:16:59.897-08:00</updated><title type='text'>O Banho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Faltara água no prédio, estavam impermeabilizando a caixa d`água. Há dez dias. O dia de trabalho na Bolsa fora estafante, como sempre, e só existia um balde dentro de casa. Meia-noite e meia, e o acesso à cisterna estava fechado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem passara a semana no escritório de sua corretora, que possuía um confortável vestiário. Maldita idéia de vir para casa direto, pensou. Sentia-se sujo, e ficar sem tomar banho não era uma opção. Aquele balde teria que dar. Fazia um pouco de frio, então colocou para esquentar uma parte da água. Ajeitou sua roupa de dormir em cima da cama e pegou uma toalha limpa. Nesse meio tempo, a água fervera. Colocou o balde dentro do box e despejou a água quente por cima da fria, quebrando um pouco a temperatura. Arranjou um recipiente – uma pequena e antiga panela de alumínio – para fazer o transporte da água para o seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou a roupa e entrou no box. Ao primeiro instante - um grande e largo homem pelado com o recipiente na mão - veio uma lembrança a surpreender-lhe – um nome: o baldinho. Era como se chamava a panelinha com que tomava banho quando menino – uns oito ou nove anos – época em que morava no três-sete-meia da Hadock Lobo. Não era do tipo que guardava reminiscências bucólicas. Fora uma criança de condomínio, com chuveiro e água encanada. Porém, durante anos, até se mudarem para São Cristóvão, aquele apartamento permanecera sem chuveiro elétrico ou aquecedor. Nos dias de frio, mamãe esquentava-lhe a água e tomava banho quebrado e de baldinho – tivera muita alergia, por isso o pediatra não recomendava banhos muito quentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atípica recordação divertiu-lhe, tirando o mau-humor da circunstância. De repente, o sorriso sumiu do rosto do homem gordo. Por onde começar? Um corpo imenso e pouca água. O que fazer? Após uns instantes coçando a cabeça, decidiu começar por ela mesmo, seguindo a lógica de que a água acabaria por descer pelo tronco, a molhar-lhe todo o resto. Curvou-se com o baldinho na mão esquerda, encheu-lhe de água e fez o que pensara, utilizando o outro braço para espalhar a água que descia pelo seu tronco. Repetiu o movimento umas três ou quatro vezes, deixando-o molhado o suficiente para o ensaboamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonara o baldinho flutuando no balde e começou a passar o sabonete. Era diferente de um banho de chuveiro. Não havia aquele jato forte, que descia frenético, quente e anestesiante, a desviar-lhe o pensamento em outras direções. Só se ouvia a fricção do sabonete com os pêlos do corpo. Era interessante, parecia a primeira vez que prestava atenção no ato de ensaboar-se. Cansado demais para pensar em qualquer coisa, concentrou-se naquela descoberta. Cobria de branco os peitos caídos, a volumosa barriga, os braços flácidos e o dorso dobrado de gordura . Sentia-se tocar, expressão que só ouvira nos filmes de adulto, em boca de mulheres esculturais. Era estranho e sensual, mas calmo. Não havia ereção, mas era sexo. Fechou os olhos e pôs-se a sorrir, um sorriso gostoso, leve e descomprometido, quase a reação deslumbrada de uma criança com coisa nova e fascinante. Ficara minutos e minutos nesse (re) descobrir-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um frio lhe acometera, o que rompeu a sua imersão sexual. O balde cheio um pouco aquém da metade. Seria necessário prudência para não terminar o banho com espuma espalhada. À medida que enchia o baldinho, dispunha-lhe aos poucos, por cada parte ensaboada, com o toque da mão a acompanhar o enxágüe. O som da água caindo sobre a pele gelou-lhe a espinha. Um sentimento primitivo e poderoso tomou o homem. Dominava ritmo, volume e gravidade da água derramada. A percepção do banhar-se, a delicadeza em dedicar atenção às curvas e dobradiças escondidas do seu corpo gorduroso; tratava-se de um trabalho paciente e ao mesmo tempo (e novamente) de descoberta. Era sensual, extravagante. Sentiu uma liberdade constrangedora em devassar-se. Ao acabar a água do balde, uma tristeza tomou-lhe. Saiu do box. Na frente do espelho a secar-se, via o seu corpo, antes repulsivo, com olhos bem mais benevolentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo diferente aconteceu. Chorou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1077097914810404731?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1077097914810404731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1077097914810404731' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1077097914810404731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1077097914810404731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/12/o-banho.html' title='O Banho'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-2355560958730004087</id><published>2008-12-03T16:10:00.000-08:00</published><updated>2008-12-03T16:24:47.113-08:00</updated><title type='text'>Naquele lugar...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Existe o tempo necessário para olhar o céu. Não há prédios e marquizes. É permitido admirar as estrelas, achar constelações e nomeá-las ao bel-prazer. Se satisfaz em conhecer coisas novas, pelo simples prazer de conhecer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Observa-se a vida das flores, reconhecendo-lhes os odores. A queda das folhas no outono faz pensar a morte das criaturas e o peso do invísivel. É possível ouvir o canto dos passáros, e escrever óperas sobre a natureza. Senta-se na varanda e desfruta-se do toque da brisa no rosto. A conversa com os amigos acontece sem preocupações, confessa-lhes sem qualquer pudor os amores e coisas íntimas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alcança-se noção das palavras e seus efeitos, e as dotam de novos sentidos. Faz-se dos palavrões elogios comoventes e criam-se combinações tão profundas que provocam gozo. Gramáticas e sintaxes são elaboradas com o único princípio e fim da compreensão alheia, tornando qualquer desacordo possível de entendimento, sem afetar a variedade dos pontos de vista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elimina-se qualquer vontade de morrer, mas não se teme a finitude. Aceita-se a presença da dor como matéria de construção do espírito elevado.Perde-se a noção dos segundos, minutos e horas. Guia-se pela fome e o caminho do Sol e da Lua. Tem-se a virtude da paciência e não se lamenta pelo que não se tem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este lugar não tem endereço fixo. Flutua no sítio imenso do desejo, ocupa infinitos hectares de sonho e luta-se ardentemente para alarga-lhe as fronteiras. Mundo real adentro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-2355560958730004087?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/2355560958730004087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=2355560958730004087' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2355560958730004087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/2355560958730004087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/12/naquele-lugar.html' title='Naquele lugar...'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1381281733485417709</id><published>2008-11-22T10:02:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T10:05:19.545-08:00</updated><title type='text'>Apocalipse no sertão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nada acontecia de muito novo naquele interior esquecido por Deus.  O ritmo lento, com o sino da Igreja a marcar o tempo,  o andar cansado de lá para cá, o burro de osso e carne suportando um peso maior de que o seu, as crianças com a barriga inchada a correr atrás de qualquer bicho. Meio que se esperava o dia de morrer. Nada mudava. Até um dia qualquer, num desses tantos verões... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava no meio da tarde, quando chegou um homem na cidade, franzino e calvo, com um andar ereto,  carregando uma pequena maleta negra. Atravessando a pequena rua de terra, dirigiu-se ao centro da praça, subiu  no velho coreto  e retirou um grosso tomo de papéis velhos.   Montou uma bancada para apoiá-los, aproximou-se da muretinha de madeira, ajeitou o restinho de cabelo que circundava a cabeça e começou a falar. Não chamou ninguém, mas as pessoas começaram a se juntar para ver o que acontecia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parecia que não havia necessidade de dizer algo. Aquele texto tinha o objetivo único de impressionar. As  palavras, selecionadas pelo seu impacto fônico, não eram para ser compreendidas, somente sentidas, aumentar a grandeza de quem falava. Os adjetivos, utilizados para ornamentar a retórica, construindo a imagem grandiloqüente dos substantivos a que emprestava qualidade. E quantos circunflexos e proparoxítonas não estavam contidas em seu discurso!? Sim, era belo, na voz grave daquele homem, mas em texto, as frases e orações diziam pouca coisa, ou nada. Era elogiável o seu talento para declamar, o controle da entonação, que não deixava ninguém dormir; seus gestos enfáticos, tudo  era uma encenação teatral de altíssima dramaticidade.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O povo estarrecido olhava como se fosse a sétima maravilha do mundo. Que sabedoria naquele homem! Aplaudiam e gritavam a cada entusiasmo do orador. De terno e gravata, suava em bicas por causa do grande calor que fazia na cidade. Pessoa importante, merecia todo o respeito. A autoridade emanava daquela imagem, que enunciava sons incompreensíveis, mas impactantes; e externava importância em suas vestes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Começou a chover. Nem o homem nem o povo dispersavam. A lama emergia das ruas de terra em volta da praça. As mulheres levantavam as mãos para o céu, erguiam os seus filhos sobre as cabeças, como se quisessem alcançar uma graça. A alegria nos olhos daquela gente passava uma certa tristeza. Uma pequena cidade no sertão, pouca água, pouca comida, muita miséria e judiação. O que caía do céu naquele instante era um milagre. Algum homem mais ilustrado que passasse por ali pensaria que era um político, ou um pastor, mas ao ouvir a mensagem, não distinguiria nem um  nem outro. A multidão cada vez crescia mais, e mais...Chegavam crianças, velhos, mães, cachaceiros, padres, mendigos, trabalhadores. Era a hora do crepúsculo, os sinos não tocaram e o espetáculo continuava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A praça ficou pequena. A chuva apertava. O vento levara o telhado do coreto. O suor e a água da chuva misturavam-se na tez do homem. Suas roupas molhadas acabaram com o alinhamento em que chegara. Sua voz não tinha limites. Continuava a falar e o povo a assistir. Não havia polícia nem qualquer autoridade. Ninguém sabia quem era aquele homem, mas ele falava bonito. Muitos começaram a chorar, sem saber direito o porquê. Foi gente chegando sem parar. Sem microfone, a voz do orador aumentava a distâncias cada vez maiores, atingindo sempre a um diâmetro mais extenso. Como era possível? Não havia idéia, mas também quem parou para pensar nisso? Em pouco tempo, a multidão ultrapassava os limites da cidade, penetrando por suas poucas ruelas, em todas as direções possíveis.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O tempo passava, a chuva a cair, cair,...o homem a falar, falar.....e ninguém saía do seu lugar, mas chegavam. Nunca chovera tanto por aquelas paragens, nem tanta gente havia se visto. Mas ninguém ligava. Parecia uma espécie de encantamento que o homem careca, aliado à chuva, fazia no povo. Os papéis, que serviam de referência ao orador, há horas virara uma pasta de celulose. Já não fazia diferença. Aquele homenzinho estava encarnado, falava já tudo de cabeça. Cada vez que chegava mais gente, mais a chuva apertava, e mais alta e grave a voz ficava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A lama engrossava e avançava sobre o tornozelo das pessoas.  Repentinamente, começou a trovejar. Alguns minutos depois, raios começaram a cair sobre as casas, a incendiá-las. Em vez de apagar, a água que caia do céu aumentava as labaredas. Mesmo assim nada era percebido, e mais gente, quase que brotando da terra, chegava. Choros, gritos, urros, sussurros, gemidos de prazer. Ouvia se de tudo da massa, mas como um mero pano de fundo ao som que vinha do centro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já avançava pelo meio da madrugada. Toda a gente pobre e miserável do mundo parecia estar reunida naquele momento em volta do velho coreto. Toda a sede, a fome, o frio e a dor encontravam-se ali, e haviam sido esquecidos. De alguma maneira, como algo sem explicação, havia felicidade naquelas pessoas. Um trovão longo e estrondoso ressoou, superando a gravidade do orador. Mas  o barulho vinha da terra, e ela começou a tremer. Partindo do coreto, imensos buracos começaram a abrir-se das rachaduras no chão, a engolir todos. Os casebres em fogo imergiam dentro de imensas chamas subterrâneas.    Mas ninguém se desesperava, ninguém corria. Todos se resignavam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã, somente o que sobrara de toda a cidade foi o coreto. Sobre ele, a silhueta de um homem, petrificada. Nunca ninguém entendeu o que acontecera. Durante anos e anos, cientistas tentaram arrumar uma explicação. Mas não havia. Os devorados pela terra não deixaram memória, identidade ou lembranças. Ninguém dera pela falta deles.Por décadas e décadas reinou a felicidade. O sertão virara mar e toda a miséria daquela região deixou de existir. Oraram a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1381281733485417709?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1381281733485417709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1381281733485417709' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1381281733485417709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1381281733485417709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/11/apocalipse-no-serto.html' title='Apocalipse no sertão'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-1052565709863977489</id><published>2008-11-11T12:53:00.000-08:00</published><updated>2008-11-11T13:11:14.476-08:00</updated><title type='text'>Sonho</title><content type='html'>Ao entrar no quarto, a irmã estirada. A cabeça ensanguentada, aparentemente esmagada, quase dentro do chão. A avó e a mãe abrem a porta em seguida. Choros de desespero ante o sangue demarrado. Gritos de socorro, uma delas ergue o corpo de encontro ao seu. Pensam que está viva. ¨Deixem-na, está morta¨. Omite-se o complemento, que enche o peito de dor. ¨Ela se suicidou¨.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao despertar, sem sustos, somente alívio, pressentimento, tremor. Mas disso, só ele sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há tempo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-1052565709863977489?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/1052565709863977489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=1052565709863977489' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1052565709863977489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/1052565709863977489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/11/frightened-dream.html' title='Sonho'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-5312638265724343560</id><published>2008-11-09T04:42:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T17:18:18.548-08:00</updated><title type='text'>Em algum sábado à noite ...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quero aproveitar esta noite. Não vou para a gandaia, muito menos encontrar a mulher amada. Não vou me encher de drogas, nem encontrar aqueles velhos amigos para relembrar nossos momentos memoráveis. Definitivamente não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite de sábado, onde a maioria dos jovens de minha idade estão se acabando na mais pura diversão, aproveitando a flor da juventude, cá estou,completamente sozinho. Também sem cerveja, cigarros ou televisão. Só há meus pensamentos, incrivelmente calmos, a lâmpada acesa da sala, o barulho do ventilador de teto nesta quente noite de primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que possam pensar, não há nostalgias ou frustrações.Reina uma certa paz de espírito, a respiração calma, um sutil inebriamento de sono. São aproximadamente onze horas da noite, embora não importe muito. O corpo descansa no sofá, o queixo nas costas da mão esquerda. A mente trabalha sem pressa. Na mão direita, um lápis, a escrever numa folha de caderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anota-se as divagações desse momento suspenso, onde tudo parece sem importância. A ponta do grafite desenha as letras de uma estória sendo contada (e esse é o exato momento da criação) e registrada, como uma oferenda do tempo presente ao tempo futuro. A estória de uma noite que um homem dedicou somente a ele próprio, a contemplar seus pensamentos em palavra escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer esforço encontra-se ausente. Os segundos e minutos não são percebidos, pois nada há que lembre o tempo. O sentimento é de um estranho prazer, sem êxtase, medido e tranqüilo. Não se consome, não se relaciona, não se deseja. Não há lembranças. Só eu existo, nesse diálogo silencioso comigo mesmo. Não há utilidade para nada, ou interesse, somente um homem, que numa noite, não quer fazer nada além de escrever sobre sua falta de vontade em fazer algo sem ser escrever deitado sobre a sua noite desinteressante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há desânimo, mas não tristeza. Uso as palavras do jeito que quiser, no tempo verbal que bem entender, na pessoa que me der na telha. E se eu quiser repetir as palavras, frases, orações inteiras, eu faço. Aqui eu mando mesmo sem estar com muito saco para mandar. Pinto e bordo. Classifico e nomeio as coisas do jeito que quiser. Posso ser viado, pedófilo, maconheiro.....até flamenguista. Aqui, nenhuma categoria do convencional mundo social vale. É meu, só meu (e não há posse, pois só há eu) , e faço desse reino das minhas letras o lugar das minhas realizações e desejos (mesmo que nenhum me acometa nesse momento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pouco importa se essa noite não valer de nada. Ela foi feita pra não valer, pra não se viver, apenas deixar passar, como passa enquanto penso no ponto final depois de escrever fim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-5312638265724343560?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/5312638265724343560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=5312638265724343560' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5312638265724343560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/5312638265724343560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/11/em-algum-sbado-noite.html' title='Em algum sábado à noite ...'/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-8214212250462945670</id><published>2008-10-11T04:43:00.001-07:00</published><updated>2008-10-11T05:22:37.736-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Halls&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não posso sentir da tua boca o gosto,&lt;br /&gt;Fico com o gosto que a tua boca prova&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gozando em língua esse doce fogo&lt;br /&gt;Uma lembrança que o sabor aflora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrar o doce que essa língua goza&lt;br /&gt;num desejo que me consome em fogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um doce gozo que aflora em fogo,&lt;br /&gt;que queima tanto que me apavora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-8214212250462945670?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/8214212250462945670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=8214212250462945670' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8214212250462945670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/8214212250462945670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/10/halls-se-no-posso-sentir-da-tua-boca-o.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-4092248902824108100</id><published>2008-08-11T14:15:00.000-07:00</published><updated>2008-08-11T15:18:07.347-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;04/08 156/1388&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;CD: Pacote de 28 músicas baixadas do E-Mule, Mallu Magalhães&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Filme: Um Grande Garoto, de Paul e Chris Weitz&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ensinamento do dia: Tomar um copo de refrigerante antes de dormir pode causar desarranjos gástricos terríveis.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Corpos de Mulher, Comida, Alcool, Televisão, Cigarros. Os sentidos de Alex eram absorvidos. E a sua personalidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alex passou o domingo consumido pelos sites pornôs. Além de excelentes ensejos para a masturbação, ofereciam uma ampla gama para a consumação do ato sexual no mundo real. Putas, sexo. As punhetas não saciavam. A possibilidade de ter uma mulher, de esfregar sua boca e pênis em um corpo concreto, devorou o seu desejo. Pensamentos. Quisera resistir. Tentou. Ao sair de casa na segunda pela manhã, levou a agenda com os tentadores números de telefone.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Avenida Rio Branco, número 156, sala 1833. A voz feminina que lhe informou o endereço era doce e incrivelmente provocante. Cedeu, iludindo-se de que seria a última vez. Subiu o elevador do prédio comercial imaginando no que iria fazer como uma experiência para os sentidos. A sala do décimo oitavo andar tinha um aspecto asséptico. As putas tinham cara de putas. Eram gordas, com cabelo alisado, artificialmente produzidas segundo a preferência estética difundida pelos meios de comunicação. As três moças se apresentaram, com um ar amoroso e uma fala mecânica. Alex escolheu Kelly.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não queria consumí-la rapidamente, queria aproveitar aqueles instantes para descobrir-se, de uma maneira que não sabia definir. Pagou uma hora, dinheiro que lhe faria falta, que poderia ser útil em outras coisas. Oitenta reais. Tirou a roupa, tomou uma ducha quente, preocupado em não molhar os cabelos. Odiava indagações, lhe impelia à culpa. Também preocupava-se com a sua carteira, que deixara no quarto. Tentou ser rápido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O quarto era como um escritório, de paredes feitas de um fino tapume branco, típico de repartições. Cama, mesa de massagens - afinal era uma ¨casa de massagens¨- revistas de sacanagem, um frigobar, uma rádio sintonizada numa estação popular. O ar condicionado era forte. Sentia frio. Saído da água quente, pensava no resfriado que poderia pegar. Kelly entrou. Era gorda, cheia de estrias, tinha de bonito só o rosto. Ofereceu uma massagem a Alex, prontamente aceita. Queria aproveitar bem aquela hora, os complementos íntimos que ficassem para depois. A mulher começo a passar as mãos pelas suas costas, intermitente, desengonçada, era certo que não tinha o menor jeito para a coisa. Deitado de bruços, Alex não relaxava, pensava no tempo. Não passava, sentia tédio. A mulher pediu que virasse. Colocou-lhe o preservativo com a boca. A trepada foi péssima. A visão daquele monte de carne com nome de mulher não o excitava. Gozou rápido, como sempre. A vaca riu. Apesar de impaciente, Alex fez força para ficar até o fim daquela hora. Kelly reiniciou a massagem. O que fazer ante a ditadura do relógio, pensou o jovem. Aquelas mãos grossas passeando pelo seu corpo não lhe causavam prazer ou relaxamento de espécie alguma. Percebia a insatisfação de Kelly pela sua dispersividade, parando a todo momento, inventando desculpas para sair do recinto (melhor nome não traduziria o sentimento de prisão que Alex sentia por aquele espaço). Uma dor de cabeça surgiu-lhe. Vontade de fumar. Após umas palavras gentis e apáticas às putas, pagou e foi embora. Antes de sair, percebeu um quadro, uma figura masculina, postada de frente, abraçando uma feminina, ambas desnudas e sem rostos. Pensou no significado daquele quadro. Pelo menos aquela merda de puteiro tinha uma decoração inteligente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao sair, o jovem ficou refletindo sobre o que fizera. Novamente não conseguiu resistir a sua compulsão, a sua necessidade de consumir. Sentiu-se culpado por aquilo, por sua ansiedade e inércia. Já sabia tudo aquilo de antemão. Fumou uns cigarros, caminhando a passos lentos pelas ruas do Centro. Procurou um bistrô, para tomar um café e escrever sobre a sua experiência. Infantil ilusão, ingênua construção narcisística de uma imagem de intelectual. Nada havia de aprendizado. Criou um personagem com um nome fictício e contou sua estória com palavras de pouca expressão, rápido e impacientemente- o tempo de uma xícara grande de capuccino. Na saída, comprou outro cigarro, lamentando-se com estilo de sua vida infeliz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-4092248902824108100?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/4092248902824108100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=4092248902824108100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/4092248902824108100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/4092248902824108100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/08/0408-1561388-cd-pacote-de-28-msicas.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6435774494341085329.post-3581286873253837468</id><published>2008-08-02T15:08:00.000-07:00</published><updated>2008-08-02T15:12:31.957-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;O homem podre na noite&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CD: Joshua Tree, U2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Filme: Mundo Cão,de Terry Zwigoff.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ensinamento do dia: òculos escuros em lugares fechados é uma arrogância ridícula.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Anisha usava calça jeans, camisa branca sem estampa, tênis olympikus de camurça e óculos de grau com armação preta e grossa. A noite era escura e nublada, prometia chuva, mas fazia calor naquele sábado à noite. Saiu sozinho, sem saber muito bem para onde, nem porquê. Sabia somente que queria se divertir, e que certamente não se divertiria. Não perdia a vontade de querer ser um jovem normal. Assim que saiu de casa, acendeu seu cigarro. Seus dentes começavam a apodrecer, alguns já haviam caído, e nas ruínas de sua arcada, Anisha passava as línguas, nervoso, com medo de um câncer de boca. Tinha medo de morrer. Tinha medo de tudo. Queria acabar com isso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pegou um ônibus. Foi para a Lapa. Era onde sempre ia parar, por mais que quisesse evitar a mesmisse e criar coisas novas para a sua vida. Queria beber muito, dançar, ser admirado, arrumar uma mulher para fazer sexo. Queria curtir tudo sem culpa. Era difícil. Anisha não tinha nada em sua vida, emprego, amigos, personalidade....Só tinha seus pensamentos de culpa e condescendência consigo. Chegou ao seu destino. Começou a andar, perdido, olhando as pessoas com inveja e admiração, achando-se deslocado mas querendo se alocar. Tinha tesão nas meninas, e nos meninos. Parou em frente a uma boate alternativa. Tomou umas cervejas e fumou uns cigarros, fazendo um estilo falso, vendendo sua imagem, esperando o tesão alheio. Entrou na casa. A música estava boa. Pediu uma cerveja, acendeu outro cigarro e começou a dançar. Tentava pensar que não precisava de ninguém para se divertir e ser feliz. Mas via os outros acompanhados e batia o sentimento de solidão. Dançava sem saber dançar, mas estava longe de não se preocupar com a opinião alheia. Os olhares alheios o oprimiam, sentia-se ridículo, não um louco, loucos são cools, mas um babaca querendo aparecer e digno de pena. Parou e foi ao bar. Pediu outra cerveja. Tinha vergonha de puxar conversa. Se achava feio e sem graça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma menina o atraiu. Tinha cabelos negros, tatuagem nas costas e óculos parecido com os seus. Seria a trepada da noite? A mulher de sua vida? Começou a dançar perto da menina. Tentou trocar olhares com ela. Ela estava acompanhada de amigas. Achou a situação absurda, como ele, tão...tão....tão....demodé, poderia abordar aquela moça. - Olá, achei você linda. - Oi, poderia conversar contigo?- Sua beleza me trouxe até aqui, te desejo absurdamente.Tudo o que pensava parecia insincero, sem imaginação,  indigno de atenção. Parou de dançar e voltar para o bar. Estava a menos de uma hora lá dentro. Resolveu ir embora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saiu da boate e ficou perambulando pela Lapa. Queria ser legal, mas não conseguia. Ficou um tempo admirando os travestis. Tinha tesão neles. Mas também tinha medo, dos seus desejos, das consequências de sua compulsão pelo prazer. Este era um tabu para ele: prazer!!! Sempre sentia culpa do prazer, não conseguia se livrar do prazer. Pegou o ônibus e voltou para a casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eram duas horas da manhã. As ruas vazias do seu bairro. Chegou em casa, foi para a frente do computador e tocou uma para um vídeo de um belo transsexual e uma mulher. Lavou as mãos da porra que a borrava, comeu três cachorros quentes com refrigerante, escovou duas vezes seus dentes (crente de que ia fazer de sua boca menos podre) e foi deitar-se no sofá onde dormia. Ficou algum tempo olhando para o teto, pensando na vida. A partir de amanhã seria diferente. Sentiu preguiça de pensar. Dormiu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6435774494341085329-3581286873253837468?l=documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/feeds/3581286873253837468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6435774494341085329&amp;postID=3581286873253837468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3581286873253837468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6435774494341085329/posts/default/3581286873253837468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://documentosdeumavidaimperfeita.blogspot.com/2008/08/o-homem-podre-na-noite-cd-joshua-tree.html' title=''/><author><name>The Writer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03414138679312779978</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
